segunda-feira, 31 de março de 2014

Insulinas: Passado e Presente

O diabetes melito é uma doença tão antiga quanto à própria humanidade. O papiro de Ebers, manuscrito da época 1500 a.C., menciona esta entidade e chama a atenção para a diurese freqüente e abundante, sede incontrolável e emagrecimento acentuado como suas principais manifestações clínicas. Aretaeus, médico romano, criou o termo dia-betes que significa “passar através” devido à excessiva diurese, um dos sintomas mais evidentes da doença, ser parecido à drenagem de água por meio de um sifão. No século VI, médicos hindus descreveram mais detalhadamente alguns sintomas da doença e relataram pela primeira vez, o sabor adocicado da urina destes indivíduos. Em 1869, Langerhans identificou conjuntos de células no tecido pancreático que denominou de ilhotas celulares. Em 1889, na França, Joseph Von Mering e Oskar Minkowski da Universidade de Strasbourg durante pesquisas sobre a digestão de gorduras observaram que a remoção do pâncreas de cães desencadeava sinais e sintomas similares aos de diabetes. Em 1908, o cientista alemão George Zuelzer desenvolve o primeiro extrato pancreático injetável que suprimiu a glicosúria. Infelizmente, esta modalidade terapêutica não evoluiu devido aos importantes efeitos adversos. Em 14 de novembro de 1899, nascia em Ontário, Frederick Banting e, em 1912, inicia seu curso de graduação em Medicina na Universidade de Toronto. Entre 1910 e 1920 surge nos Estados Unidos um dos mais importantes diabetologistas da época, Elliot P. Joslin que definia diabetes como sendo uma doença crônica, não contagiosa, que evoluía sem dor e passível de ser tratada cronicamente. Em 1921, Banting e Charles Best no laboratório do fisiologista J.J.R. MacLeod, durante estudos em cães tentando demonstrar que a secreção exócrina pancreática poderia destruir o composto químico sintetizado pelas ilhotas de Langerhans, descobriram e isolaram a insulina. A descoberta da insulina foi o grande marco da história do diabetes melito e a grande conquista para o tratamento e a sobrevida dos pacientes. Em 11 de janeiro de 1922, clínicos do Toronto General Hospital prescreveram de forma injetável 15 mL de extrato pancreático a um paciente com diabetes, Leonard Thompson de 14 anos de idade em estado clínico crítico. Houve poucos efeitos sobre a glicosúria e cetonúria e o pior, evoluiu com formação de abscesso estéril no local da aplicação. Diante deste fato, o bioquímico J. B. Collip purificou este extrato pancreático e em seguida foi novamente aplicado ao mesmo paciente, agora com resposta imediata e eficaz da glicosúria e da cetonúria. Com estes achados, pela primeira vez na história ficaram demonstrados de forma inequívoca a relação da secreção interna pancreática e o diabetes melito. Devido a estas conquistas terapêuticas em 1923, Banting e Macleod receberam do Nobel Committee of the Caroline Institute o prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia. Para a prática clínica, o acontecimento mais importante após estes achados experimentais, foi o acordo com a Eli Lilly and Company of Indiana para a industrialização e comercialização em larga escala da insulina. A primeira insulina a ser comercializada foi denominada de insulina regular ou insulina “R”. Devido ao seu efeito clínico de curta duração, exigia três ou quatro aplicações diárias para o bom controle metabólico. Sobretudo, a introdução da insulina rápida na terapêutica do diabetes mudou de maneira drástica a expectativa de vida dos indivíduos recém-diagnosticados; uma vez que na fase pré-insulina era de 2.6 anos, passou para 6.0 anos em média e melhorando progressivamente com a evolução global da terapêutica. Um dos primeiros europeus a visitar Toronto para conhecer mais detalhadamente os experimentos com a insulina foi o dinamarquês August Krog junto com H.C. Hagedorn, pelo fato de sua esposa ser portadora de diabetes melito. Após um período experimental, iniciaram a produção comercial de insulinas na indústria farmacêutica denominada de Nordisk Laboratory, em Copenhague. Em 1926, John Jacob Abel do Johns Hopkins Hospital (Baltimore) cristalizou a insulina, que finalmente foi reconhecida como um hormônio protéico. Entre 1930 e 1940, Hagedorn na Dinamarca acrescentou à insulina uma proteína básica denominada de protamina desenvolvendo, assim, a insulina NPH. Simultaneamente, Scott e Fisher em Toronto, com a adição de zinco à molécula de insulina, sintetizaram a Protamine-Zinc Insulin (PZI). No início da década de 1950, na Dinamarca foi lançada a insulina Lenta, desprovida de protamina. Nos próximos vinte anos, as insulinas PZI, NPH e Lenta supriram o mercado mundial para o tratamento de diabetes melito. Contudo, na prática clínica diferentes complicações do uso destas insulinas foram observadas, entre elas, quadros alérgicos, lipodistrofias nos locais das aplicações e a mais importante, resistência imunológica à insulina. Em 1973, visto como grande evolução tecnológica da época foi desenvolvida e lançada no mercado uma nova preparação de insulina Porcina livre de peptídios imunogênicos, denominada de insulina monocomponente. Com o advento da biologia molecular via DNA recombinante, iniciou-se a era das insulinas biosintéticas humanas, as quais são utilizadas por muitos pacientes até os dias atuais. Por meio de injeções subcutâneas em comparação com a insulina animal, a insulina humana sintética apresenta farmacodinâmicas e farmacocinéticas diferentes. A insulina humana tende a ser de absorção mais rápida e de período de ação mais curto, mas com picos de ações que ocorrem de forma totalmente imprevisíveis. É importante citar que na prática diária, estas diferenças não são tão significantes quando a insulina humana é usada com estratégias terapêuticas adequadas. No final da década de 1990, a indústria farmacêutica Eli Lilly Company sintetizou a insulina de ação ultra-rápida denominada de lispro, que quimicamente se baseou na inversão de posições dos aminoácidos prolina (B28) e lisina (B29) na cadeia B da insulina humana, tornando-a similar à estrutura química do IGF-1(Insulin-like Growth factor 1). A importância desta inversão é que pôde acelerar a absorção devido à formação de hexâmeros que se dissociam rapidamente. Em seguida foi introduzida no mercado, a insulina asparte que quimicamente se diferencia da insulina humana pela substituição do aminoácido prolina na posição B28 da cadeia B da insulina pelo ácido aspártico. Estes análogos de ação ultra-rápidos apresentam perfis similares tanto da farmacocinética como da farmacodinâmica. Na época do lançamento, estes análogos trouxeram grandes expectativas para os diabetologistas e clínicos pelo potencial redutor de riscos de episódios de hipoglicemias, principalmente os eventos noturnos. Comparando com estas formulações ultra-rápidas, a insulina regular pelo fato de conter zinco em sua formulação, precipita facilmente no subcutâneo em hexâmeros de dissociação mais lenta proporcionando, assim, absorção mais tardia do que as insulinas lispro e asparte. Em 2000, outro análogo de insulina, desta vez de ação prolongada denominado de glargina, foi aprovado pela Food and Drugs Administration (FDA) e European Medicines Evaluation Agency (EMEA) para o uso em pacientes com diabetes tipos 1 e 2. A estrutura química da glargina difere da insulina humana em três posições de aminoácidos. Na cadeia A21, a asparagina é substituída pela glicina para aumentar a estabilidade da molécula e duas moléculas de argininas são acrescentadas na posição B31 e B32. Estas alterações mudam o ponto isoelétrico da insulina, elevando o seu PH para o mais próximo possível do neutro. Apesar disso, o PH levemente ácido promove no tecido subcutâneo a formação de micropreciptados lentificando, assim, sua absorção para a circulação sanguínea. Além disso, para otimizar a estabilização da molécula é adicionado pequenas quantidades de zinco que contribui ainda mais para a lentificação de sua absorção pelos capilares sanguíneos. Em vários ensaios clínicos envolvendo pacientes com diabetes tipos 1 ou 2, comparando a glargina com insulina NPH, a glargina demonstrou início de ação mais lento, com efeito, mais prolongado, estável e picos pouco pronunciados. Posteriormente, mais um análogo de insulina de ação prolongada, denominado de detemir foi aprovado pelas agências regulatórias, FDA e EMEA. A insulina detemir é um composto solúvel em PH neutro e basicamente foi desenvolvida com o objetivo de obter valores glicêmicos mais estáveis e previsíveis. Foi sintetizada a partir da acilação do ácido mirístico na posição B29 da insulina humana, onde está posicionada a lisina e também, a remoção do aminoácido treonina da posição B30. O ácido mirístico é um ácido graxo de 14 carbonos com a função de se ligar à albumina de forma reversível tanto no interstício como no plasma. Mais recentemente, um novo análogo de insulina de ação rápida foi disponibilizado no mercado brasileiro. Trata-se da glulisina, sintetizada a partir da insulina humana com duas mudanças na seqüência dos aminoácidos da cadeia B. Na posição B3, a asparagina é substituída pela lisina e na posição 29, a lisina é substituída pelo ácido glutâmico. Esse análogo tem propriedades farmacodinâmicas e farmacocinéticas similares aos análogos lispro e asparte. Em conclusão, nesses últimos 90 anos desde a descoberta da insulina houve importantes avanços na insulinoterapia. Entre eles, os mais importantes foram à purificação da insulina animal, em seguida, a substituição pela insulina humana sintética e mais recentemente, a síntese de análogos de insulina de ação rápida e prolongada. Todos estes avanços ao longo do tempo foram com o objetivo de se proporcionar maiores facilidades ao paciente e, fundamentalmente, melhores resultados no controle metabólico. Referência Pires AC, Chacra AR. A evolução da insulinoterapia no diabetes melito tipo 1. Arq Bras Endocrinol Metab 2008; 52/2: 268-278. Dr. Antônio Carlos Professor Adjunto Doutor da Disciplina de Endocrinologia da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto-FAMERP

Educação em diabetes: estamos adaptados à realidade brasileira?

O controle glicêmico adequado é fundamental na prevenção de complicações crônicas relacionadas ao Diabetes. Entretanto, apesar dos grandes avanços no tratamento, a maioria dos pacientes (mais de 70%) está fora das metas de bom controle glicêmico, sendo o tratamento um enorme desafio para o paciente, familiares, médicos e toda a equipe envolvida na assistência. O enorme impacto no dia a dia dos pacientes causado pelo tratamento é aspecto fundamental no entendimento deste desafio. A literatura médica mostra diversas evidências de que um programa de educação continuada em Diabetes é ferramenta essencial para que se consiga alcançar bom controle da doença. As chances de sucesso são maiores à medida que o paciente tenha consciência e entenda não apenas a importância do bom controle para a saúde e prevenção de complicações, como também o papel das medicações, noções básicas do metabolismo de glicose, nutrição, uso de monitores de glicose, cuidados com os pés, atividade física, entre outros. Educação em Diabetes é uma proposta terapêutica proposta desde 1918, quando Elliot P. Joslin afirmou que “o paciente educado fica melhor”. Assim, é considerada como um processo que oferece ao indivíduo o conhecimento, a habilidade e a técnica necessários para o auto cuidado, o manejo dos dias de doença e para fazer adaptações no seu estilo de vida visando ao melhor controle glicêmico, à prevenção de complicações crônicas e, acima de tudo, à melhora na qualidade de vida. E falando em educação, em maio deste ano a revista Pediatrics publicou um interessante trabalho abordando a associação entre alfabetização e habilidade matemática dos cuidadores e o pobre controle do diabetes em crianças com diabetes tipo 1. No dia a dia do atendimento muitas vezes interpretamos o “saber ler e escrever” como receitas e demais orientações compreendidas e percebemos no decorrer do tratamento que a educação precisa ser contínua e repetitiva. Neste estudo, a abordagem foi direcionada aos cuidadores de crianças diabéticas, os responsáveis pelo entendimento e aplicação de mudanças alimentares, cálculo das doses de insulina na contagem de carboidratos e/ou correções de hiperglicemias, cujo não entendimento pode contribuir para a piora do controle glicêmico. Os familiares de crianças com pelo menos 01 ano de acompanhamento foram submetidos a um questionário validado de avaliação da qualidade da alfabetização e dos conhecimentos matemáticos. A glicohemoglobina no grupo de crianças com familiares com alfabetização inadequada e menos de 50% de acertos matemáticos (10.4 ± 2.2 %) foi significativamente maior que no grupo com adequada alfabetização e mais de 50% de acertos matemáticos (8.6 ± 1.7%). Os resultados não foram surpreendentes, pela experiência podemos até dizer que foram os esperados. Porém, ativam a nossa memória para o cotidiano do atendimento e a necessidade de reforçarmos periodicamente os pontos mais difíceis do tratamento, tentando adequar os serviços, principalmente os da rede pública de saúde, à realidade da educação brasileira, não negando às crianças diabéticas a possibilidade de tratamento adequado. Então, as questões que ficam para reflexão: a educação nos serviços de diabetes, públicos e privados, está adaptada à realidade educacional brasileira? Estamos detectando e direcionando as deficiências dos cuidadores na individualização do tratamento e nos programas de educação para as nossas crianças diabéticas?

Dias de Doenças e o Diabetes

Muitas doenças, principalmente quando acompanhadas de febre, aumentam os níveis das glicemias devido à liberação de hormônios de estresse, gerando um aumento na necessidade de insulina (seja a aplicada ou a produzida pelo próprio corpo). Doenças associadas com vômitos e diarréia (exemplo: gastroenterite, muito comum na infância e adolescência) podem diminuir as glicemias e causar mais hipoglicemias do que hiperglicemias, devido à menor ingestão alimentar e pobre absorção dos nutrientes. Algumas vezes a necessidade aumentada de insulina começa alguns dias antes da manifestação da doença e persiste até poucos dias depois da melhora do quadro clínico. Regra geral nos dias de doença: A - NUNCA INTERROMPER O USO DA INSULINA: em presença de baixa ingestão alimentar é muito comum que as doses de insulinas não sejam aplicadas. Entre em contato com a equipe de saúde antes de qualquer atitude. B - MONITORAR A GLICEMIA MAIS FREQUENTEMENTE: as monitorizações domiciliares, entre 4-6 vezes ao dia, inclusive no período da noite, são essenciais para o manejo adequado dos dias de doença. C - A INSULINA PODE PRECISAR SER DIMINUIDA OU AUMENTADA: esta decisão depende da monitorização e da manifestação da doença. D - DIMINUIÇÃO DO APETITE: Em caso de diminuição do apetite, tentar ingerir refeições mais liquidas, que contenham em torno de 15-20 gramas de carboidratos, a cada 1-2 horas (½ copo de refrigerante não diet, gelatina não diet, iogurte ou 01 copo de suco de frutas natural). E - AUMENTO DA HIDRATAÇÃO: aumentar a ingestão de água e em casos de vômitos e diarreia, dar preferência aos sais de reidratação oral. Procurar o hospital imediatamente nos seguintes casos: Se a alimentação e ingestão de líquidos forem prejudicadas por vômitos ou estes forem persistentes por mais de 2 horas; - Respiração rápida e profunda; - Mal estar e fraqueza exagerada; - Confusão mental; - Impossibilidade de realizar a monitorização glicêmica domiciliar com maior freqüência. A atenção e o cuidado nos dias de doença são essenciais para evitar o descontrole do Diabetes e internações hospitalares!

A idade que a mulher engravida aumenta o risco do filho ter diabetes?

Nas últimas duas décadas, a idade média do início da gravidez aumentou entre 2-3 anos, ou seja, a cada década a gestação se inicia entre 12 e 18 meses mais tarde do que na década passada. Muita investigação tem sido feita no sentido de tentar saber quais as conseqüências desse fato na saúde da mãe e do bebê. Evidentemente, as pesquisas não deixariam de fora o diabetes, a investigação sobre o eventual papel da idade materna na incidência do diabetes tipo 1, começou com uma análise casuística nos anos 60 (1). Em particular, os estudos mostraram associações entre idade materna e complicações na gravidez, incluindo parto prematuro e bebês com baixo peso ao nascer, e várias doenças na infância como asma, leucemia, e tumores do sistema nervoso central. Porém os estudos que relacionavam gravidez em mulheres mais velhas a incidência de DM1, tinham resultados muitas vezes contraditórios. A metanálise e a participação brasileira no estudo Um estudo que envolveu diversos pesquisadores de diferentes países, incluindo a Dra Suely G.A. Gimeno, do Departamento de Medicina Preventiva da UNIFESP, foi publicado na última edição da revista Diabetes (2), com o objetivo de investigar se crianças nascidas de mães mais velhas têm um risco aumentado de diabetes tipo 1, através da realização de uma análise combinada de estudos anteriores usando dados de pacientes individuais para ajustar variáveis que reconhecidamente podem levar a confusão na análise dos dados Estudos relevantes publicados antes de Junho de 2009 foram identificados pelo MEDLINE e EMBASE. Os autores dos estudos foram contactados e solicitados a fornecer dados individuais de pacientes. A estimativa do risco de diabetes tipo 1, por idade materna foi calculada para cada estudo, antes e após o ajuste para potenciais fatores de confusão. Um dado importante do estudo foi ter feito a análise 14.724 pacientes com DM1, a partir de 30 estudos, dos quais 29 forneceram dados individuais dos permitindo uma abordagem analítica unificada e análises adicionais para investigar possíveis fontes de viés. A conclusão do estudo Há evidências de uma fraca, mas significativa relação entre a idade da mãe ao nascimento e o risco de diabetes tipo 1 em crianças. Em toda a faixa etária materna, (>20, 20–24, 25–29, 30–34, <35 anos) existe uma diferença média de 20% no risco de diabetes tipo 1. Com base nestas estimativas, uma porcentagem muito pequena da incidência crescente de crianças início tipo 1 diabetes pode ser explicado pelo aumento da idade materna. O estudo sugere que a associação entre o diabetes tipo 1 e a idade materna é semelhante em crianças diagnosticadas com menos de 5 e entre 5 e 15 anos. Pontos negativos do estudo Embora a estratégia de busca tenha sido abrangente, estudos contendo dados relevantes podem não ter sido identificados. Não incluem estudos de idosos diabéticos tipo 1. Um estudo prévio da idade materna em adultos jovens com diabetes não encontrou evidências dessa associação. (3) A explicação O mecanismo por trás do aumento do risco de diabetes tipo 1 na infância em crianças nascidas de mães mais velhas não é claro. É provável que a idade materna seja apenas um marcador de algum outro fator mais diretamente relacionado com o risco de diabetes tipo 1 em crianças. Estudos mostraram que a idade materna no parto pode levar a partos prematuros e bebês com baixo peso ao nascer. (4) Porém foi realizada análise estatística nos trabalhos envolvidos nesse estudo, diminuindo a possibilidade dessa hipótese. É também possível que o peso materno, que pode aumentar juntamente com a idade materna, poderia estar envolvido, como um estudo recente descobriu; tanto o IMC materno pré-gestacional quanto o ganho de peso materno durante a gravidez podem predizer a autoimunidade relacionada ao diabetes. (5) Referências bibliográficas: 1 - Struwe FE. [On the manifestation of diabetes mellitus in childhood (age of C.R. CARDWELL AND ASSOCIATES diabetes.diabetesjournals.org DIABETES, VOL. 59, FEBRUARY 2010 493 manifestation, maternal age at birth).]. Monatsschr Kinderheilkd 1960;108: 487–490 2 - Chris R. Cardwell et al. Maternal Age at Birth and Childhood Type 1 Diabetes: A Pooled Analysis of 30 Observational Studies. Diabetes 2010; 59: 486-494. 3 - Lammi N, Moltchanova E, Blomstedt P, Eriksson JG, Taskinen O, Sarti C, Tuomilehto J, Karvonen M. The effect of birth order and parental age on the risk of type 1 and 2 diabetes among young adults. Diabetologia 2007;50:2433–2438 4 - Hoffman MC, Jeffers S, Carter J, Duthely L, Cotter A, Gonzalez-Quintero VH. Pregnancy at or beyond age 40 years is associated with an increased risk of fetal death and other adverse outcomes. Am J Obstet Gynecol 2007;196:e11–e13 5 - Rasmussen T, Stene LC, Samuelsen SO, Cinek O, Wetlesen T, Torjesen PA, Rønningen KS. Maternal BMI before pregnancy, maternal weight gain during pregnancy, and risk of persistent positivity for multiple diabetesassociated autoantibodies in children with the high-risk HLA genotype: the MIDIA study. Diabetes Care 2009;32:1904–1906 Dr. Sérgio Vencio Médico endocrinologista. Presidente da SBD-regional Goiás. Research Fellow (Visiting Faculty) na Academisch Ziekenhuis, Free University Hospital, Amsterdan-Holanda Twitter: twitter.com/svencio

O Diabetes e a Adolescência

A adolescência é o estágio do desenvolvimento quando o gerenciamento dos cuidados do diabetes começa a ser transferido dos pais para o adolescente e habitualmente ocorrem de forma gradual, como um processo dinâmico e individual. Infelizmente, pressões sociais e influências próprias à idade, juntamente com o desejo de adaptação a esta fase da vida, pode ser tornar a prioridade para alguns adolescentes, ocupando o lugar do aprendizado para o autocuidado na doença. Crescimento, desenvolvimento e mudanças durante a adolescência têm uma influência sobre a visão de vida dos adolescentes e consequentemente, na autogestão da sua condição crônica. Vários fatores influenciam no tratamento: Individuais: idade, sexo, grau de escolaridade, crenças individuais e características psicossociais; Relacionados à doença: terapia nutricional e medicamentosa, duração da doença; Familiar: estado civil dos pais, renda familiar, emprego e apoio da família; Sistema de saúde onde o diabético está inserido. Um estudo publicado recentemente1 demonstrou que a colaboração dos pais diminui ao longo do tempo, desde o início (13-14 anos) até a adolescência média (15-16 anos) e tardia (17-21 anos). Os escores médios alcançados nos questionários de avaliação da colaboração dos pais no tratamento diminuíram dramaticamente entre a adolescência precoce e média. Dados de estudos anteriores sugerem que envolvimento em excesso ou pouco pode ser deletério para o adolescente na autogestão de práticas no autocuidado e no controle metabólico. O equilíbrio é necessário para encorajar o autocuidado: se os pais estão envolvidos demais, eles não permitem aos adolescentes desenvolverem competências com autonomia, embora pais pouco envolvidos comprometam o controle metabólico. Assim, estudos demonstram que o melhor caminho é a RESPONSABILIDADE COMPARTILHADA (trabalho em equipe) até o inicio da adolescência média, com uma gradual transição para a tomada de decisão independente no final da adolescência e inicio da idade adulta. A habilidade psicomotora para executar muitas das tarefas necessárias para o autocuidado (por exemplo, manuseio da bomba de insulina, aplicações com seringas e canetas e o monitoramento de glicose) começa em idade escolar precoce e está bem desenvolvida no início da adolescência. Entretanto, esta capacidade não deve ser confundida com a habilidade para aplicar todos os princípios do autocuidado, como a programação de uma bomba de insulina. Adolescentes desenvolvem a capacidade de resolver problemas com o tempo. Resultados deste estudo mostraram uma diferença entre a adolescência precoce e tardia, mas nenhum aumento na capacidade do adolescente de resolver problemas entre a adolescência precoce e média ou entre a média e o final da adolescência. Este achado não foi surpreendente, dado que a solução de problemas envolve a combinação da síntese do conhecimento com experiências passadas e com aplicação de habilidades para um comportamento, o que acontece com a educação continuada. Respeitando-se limitações do estudo, o nosso aprendizado se refere ao preparo que deve ser iniciado com familiares e o diabético para esta fase da vida, com redução gradual e supervisionada no grau de colaboração nos cuidados da doença, com atenção especial às adaptações psicossociais, principalmente no caso dos meninos, que tendem a se comunicar pouco e realizar menos as tarefas do autocuidado nesta fase da vida. Assim, fica a lembrança do trabalho em equipe para toda a família, preferencialmente sempre, compartilhando experiências e cuidados, mas ao menos nas fases da vida mais influenciáveis, que seja um item não esquecido.

Depressão e Diabetes - Uma relação que piora o controle glicêmico

Doenças psiquiátricas de várias naturezas têm sido relacionadas ao descontrole glicêmico e em muitos casos são pouco diagnosticadas no universo do tratamento do diabetes. Quando esta doença é a depressão, a situação ainda é mais grave, pois muitos dos sintomas se confundem com a situação da doença crônica, o não controle glicêmico, a preocupação com as complicações agudas e crônicas da doença, dentre outros. Assim, no meio a todo o universo da complexidade do tratamento do diabetes, a depressão fica sem diagnóstico, não raramente. Alguns estudos demonstraram que a presença de sintomas depressivos aumenta a prevalência de complicações crônicas da doença e piora o controle glicêmico (hemoglobina glicada maior). Outros estudos encontraram uma chance 2 vezes maior de depressão em quem é diabético, sendo esta associação mais forte em presença da doença não controlada. Em alguns estudos, até cerca de 20% dos diabéticos tipo 2 foram diagnosticados com depressão, quando utilizados instrumentos de rastreamento da doença por profissional especializado. Em um recente estudo, os principais motivos para o não diagnóstico correto da depressão foram: crença de que sintomas depressivos são reações normais à vida, pouca valorização dos sintomas depressivos e dificuldade de diferenciar angústia de depressão pelos profissionais de saúde. Assim, quando falamos de depressão e diabetes, falamos certamente de duas doenças que precisam ser corretamente diagnosticadas e tratadas. Para ajudá-lo a identificar os sintomas da depressão acompanhe o algoritmo abaixo, retirado da quarta edição do “Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-IV): 1) Durante o último mês, você esteve frequentemente chateado por se sentir deprimido e desesperançado? 2)Durante o último mês você esteve frequentemente chateado por sentir falta de interesse nas atividades? Se a resposta foi NÃO a ambas as perguntas, é pouco provável que você tenha depressão. Mas, se uma das respostas foi SIM, esteja atento a outros sintomas da doença. O diagnóstico de depressão requer a presença de cinco ou mais dos seguintes sintomas, que incluam obrigatoriamente espírito deprimido ou anedônia, durante pelo menos duas semanas, provocando distúrbios e prejuízos na área social, familiar, ocupacional e outros campos da atividade diária. 1) Estado deprimido: sentir-se deprimido a maior parte do tempo, quase todos os dias; 2) Anedônia: interesse ou prazer diminuído para realizar a maioria das atividades; 3) Alteração de peso: perda ou ganho de peso não intencional; 4) Distúrbio de sono: insônia ou excesso de sono praticamente diários; 5) Problemas psicomotores: agitação ou apatia psicomotora, quase todos os dias; 6) Falta de energia: fadiga ou perda de energia, diariamente; 7) Culpa excessiva: sentimento permanente de culpa e inutilidade; 8) Dificuldade de concentração: habilidade frequentemente diminuída para pensar ou concentrar-se; 9) Idéias suicidas: pensamentos recorrentes de suicídio ou morte. Se você observa a presença de algumas destas características no seu dia a dia, fique atento e converse sempre com o seu médico sobre os seus sentimentos e preocupações! Diagnosticar e tratar corretamente pode ajudar no seu controle glicêmico.

Posicionamento sobre a Vigilância Sanitária

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) vêm através deste comunicado conjunto contrapor informações veiculadas na edição do Jornal Nacional de 28/03/2014 sobre a ocorrência de efeitos adversos de medicações anti-diabéticas. O texto da matéria, ressalta, entre outras infomações: “Para o coordenador do núcleo de estudos da Vigilância Sanitária, a situação é grave. ‘A gente tem percebido, principalmente, a ocorrência de pancreatite, alguns casos de câncer pancreático e também reações adversas na tireoide, como neoplasia de tireoide’, revela Adalton Guimarães Ribeiro, diretor do núcleo de estudos da Vigilância Sanitária de São Paulo. Na mira da Vigilância Sanitária, uma lista de dez medicamentos, com sete princípios ativos: liraglutida, exenatida, linagliptina, metformina, saxagliptina, sitagliptina e vildagliptina.” Este texto contém incorreções importantes, tais como: 1. é absolutamente incorreta a inclusão da metformina nessa lista; este fármaco é utilizado no tratamento do diabetes há várias décadas, está consagrado, e faz parte de simplesmente todos os consensos científicos nacionais e internacionais sobre o tratamento do diabetes como medida inicial de conduta. Ela definitivamente não está associada a qualquer dos efeitos colaterais mencionados na matéria. 2. as demais drogas citadas estão sendo alvo de ampla discussão pelas sociedades científicas, no mundo todo, já há alguns anos, a respeito de seu potencial de causar doenças no pâncreas e na tireóide. As evidências até o momento, que estão consolidadas em documentos de consenso das duas maiores entidades científicas internacionais da área de diabetes, e endossadas pelas entidades científicas brasileiras, apontam para a ausência de relação causal entre esses tratamentos e aquelas doenças. O assunto, porém, ainda está em aberto na comunidade médica científica internacional. 3. o alerta diz respeito ao fato de que alguns destes princípios ativos, especificamente os de uso injetável, realmente estão liberados pela ANVISA para venda livre, sem prescrição. A SBD e a SBEM posicionam-se contrariamente a esta regulamentação, sendo da opinião de que deveria haver maior controle sobre a prescrição e dispensação destes remédios injetáveis.

NUTRIÇÃO

Hoje é o Dia da Saúde e Nutrição, uma data criada para conscientizar a população sobre a importância da saúde e da alimentação saudável, que em doenças crônicas como o Diabetes e Hipertensão Arterial, passou a ser um componente essencial para prevenção e tratamento. Veja mais sobre alimentação saudável: http://goo.gl/nY324s #SBD #Nutrição #Saúde #DiaNacionaldaSaúdeNutrição

Assista hoje (31/03), no Jornal Nacional, o pronunciamento oficial da SBD sobre os medicamentos para Diabetes.

domingo, 30 de março de 2014

É possível produzir um pâncreas a partir de células-tronco?

A evolução não pára quando o assunto é célula-tronco! O dr. Carlos Couri explica os últimos avanços da Ciência neste artigo. Estamos vivendo e sendo testemunhas da era da terapia celular. Em paralelo com toda a seriedade e metodologia científica, todos estamos com muita fé nos resultados. As células-tronco possuem 2 características básicas que as definem: Auto-renovação; Capacidade de “transformar” células mais maduras e especializadas do que a célula de origem. Historicamente, quando se fala de células-tronco a maioria do público leigo se lembra das células-tronco embrionárias. Estas células são encontradas no embrião e são capazes de se “transformar” em praticamente qualquer tipo de célula adulta de nosso corpo e por isso são chamadas de pluripotentes. Para que isto aconteça em laboratório, basta utilizarmos substâncias certas no momento certo que elas se “transformam” nas outras células de interesse. Para usarmos terapeuticamente as células-tronco embrionárias é necessário que elas sejam primeiramente transformadas nas células que queremos, já “transformadas”. Um dos grandes desafios é que, quando utilizamos células-tronco embrionárias, elas necessariamente vêm de outro ser vivo e por isso possuem outro DNA. Isto provocaria o que chamamos de rejeição. Uma enorme evolução ocorreu nos últimos anos e foi motivo de Prêmio Nobel de Medicina. Pesquisadores conseguiram desenvolver as “células iPS” , ou seja, células pluripotentes induzidas a partir de células adultas. Mas como esta “iPS” é produzida? A partir de uma célula adulta, por meio de técnicas complexas, cientistas conseguem fazê-la se transformar numa célula-tronco embrionária. Isto mesmo! É como se a célula entrasse numa máquina do tempo e voltasse ao estado embrionário. Desta forma, com esta nova célula-tronco embrionária induzida a partir de uma célula adulta, podemos gerar teoricamente todos os tipos de células que quisermos. A vantagem desta técnica é que poderíamos ter outra fonte alternativa de células-tronco embrionárias sem a necessidade de usarmos somente embriões das clínicas de fertilização. Outra vantagem é que se poderia utilizar uma célula da própria pessoa a ser tratada, evitando a rejeição que seria provocada se a célula-tronco tivesse outro DNA. Pesquisas mais recentes do final de 2013 mostram que um aspecto teórico vem se tornando realidade: pesquisadores japoneses conseguiram desenvolver um fragmento de tecido de fígado exclusivamente com o uso das células “iPS”. Portanto, em tese é possível se desenvolver um pâncreas a partir de uma célula adulta do próprio paciente. Sinceramente acredito que isto acontecerá em breve. Ponto-chave no caso de pacientes com diabetes tipo 1 é a autoimunidade. Todos sabemos que o pâncreas do paciente com diabetes tipo 1 é destruído pelo seu próprio sistema imunológico. Por isso, não adianta transplantarmos um novo pâncreas, mesmo que seja com o DNA dele mesmo, se não manipularmos o sistema imunológico de maneira correta. O mesmo se aplica ao diabetes tipo 2. O pâncreas diminui a secreção de insulina muitas vezes como consequência da obesidade abdominal. Por isso, não adianta transplantarmos um pâncreas novo se o paciente permanece obeso e com péssimos hábitos de vida. O desafio é grande! Certamente estamos atentos a novas descobertas e também produzindo nossas próprias pesquisas no Brasil em busca de melhores dias para os pacientes com diabetes. Vamos em frente! Por Dr Carlos Eduardo Barra Couri PhD em Endocrinologia pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP, pesquisador da Equipe de Transplante de Células-Tronco da USP-Ribeirão Preto. Conceituado e premiado autor de pesquisas – inclusive em publicações internacionais -, materiais educativos e livros sobre o diabetes, em especial o tipo 1, e terapias com células-tronco. Site: http://carloseduardocouri.blogspot.com.br ; www.twitter.com/cecour

sábado, 29 de março de 2014

Diabetes Tipo 1 nas Olimpíadas de Inverno

Kris Freeman é exemplo de superação nos Jogos Olímpicos de Sochi, competindo em uma das modalidades mais desafiadoras do torneio. ouca gente sabe, mas há um diabético tipo 1 competindo de igual para igual com os demais atletas nas Olimpíadas de Inverno de Sochi, na Rússia. Trata-se de Kris Freeman, um forte norte-americano de 34 anos. Kris pratica um dos esportes mais desafiadores dos jogos: o esqui cross-country. Kris foi diagnosticado com diabetes tipo 1 quando tinha 21 anos, em 2002, pouco antes de competir nas Olimpíadas de Inverno de Salt Lake City. Esta seria a primeira Olimpíada que ele participaria. Arrasado com o diagnóstico, Kris partiu em busca de um médico que o ensinasse a lidar com o diabetes e, ao mesmo tempo, permitisse que ele praticasse o esporte que tanto ama com intensidade suficiente para competir em nos Jogos Olímpicos. DITANDO AS REGRAS DA VIDA Os primeiros três médicos que Kris visitou foram categóricos: não dá para ser atleta profissional quando se tem diabetes tipo 1, diziam. A mensagem nunca afetou Kris. Ele continuou procurando um médico que compreendesse seu desejo…e, finalmente, conseguiu achar. “Toda pessoa recém-diagnosticada com diabetes tem pela frente um longo tempo de aprendizado até saber cuidar de si própria. Eu estava super determinado desde o primeiro momento a continuar com a minha carreira”, conta Kris. “Apesar de conversar com vários médicos – três deles me disseram que não era possível continuar com as minhas aspirações Olímpicas tendo diabetes – eu continuei em frente e finalmente encontrei um médico que acreditava em mim. Nós começamos a trabalhar juntos e aqui estou eu, indo para a minha quarta Olimpíada“. Em Sochi, Kris competiu nos dias 09/02 e 14/02. O próximo desafio é no dia 23, numa prova de 50km. Até agora, ele não ganhou nenhuma medalha nestes Jogos, então vamos torcer para seu sucesso nesta última etapa! Os treinamentos antes das Olimpíadas são pesados e servem para Kris aprender a controlar melhor a glicemia durante o esforço físico intenso. SEGREDOS DO SUCESSO Ser um atleta top na modalidade tem seu custo. Kris pratica duro o ano inteiro para competir sem sofrer de hipoglicemia. Para isto, utiliza bombas de insulina adaptadas ao frio congelante que enfrenta nas provas e monitora a quantidade de açúcar no sangue com freqüência, mesmo durante as provas. Além disso, possui uma equipe que o auxilia e monitora durante os eventos. Além do sucesso nas Olimpíadas de Inverno, Kris Freeman também é ídolo da criançada. Ele passa uma parte de todos os verões em acampamentos para pequenos que também têm diabetes, ensinando-os a cuidar bem da glicemia e sendo um exemplo vivo de que, com dedicação e boa vontade, é possível ir tão longe na vida quanto se queira.

Garotinha faz sucesso com campanha por “boneca diabética”

Após ser diagnosticada com diabetes tipo 1 e perceber que não havia acessórios para sua bonecas, menina cria campanha na internet e mobiliza fabricante de brinquedos. As bonecas da marca American Girl (“menina americana”) são a última moda em brinquedos nos EUA e já conquistaram o espaço de bonecas consagradas, como as Barbies, no coração das meninas de lá. Criadas para que representem a maior variedade possível de pessoas, as American Girls, porém, ainda não possuem acessórios que as identifiquem como tendo diabetes. Esta história pode estar prestes a mudar através do trabalho de uma jovem diabética. Anja Busse tem 11 anos de idade e foi diagnosticada com diabetes tipo 1 em dezembro do ano passado. Desde então, conta a menina, sua vida mudou completamente. Ela deseja que suas maiores amiguinhas, suas duas bonecas American Girl, acompanhem-na nesta jornada. Por isso, criou uma campanha na internet para que a fabricante crie bombas de insulina e demais acessórios relacionados ao diabetes para elas. “Eu me sinto tão diferente agora e minha vida inteira virou de cabeça para baixo. Eu quero ter acessórios de diabéticos para minhas bonecas American Girl, assim elas serão iguaizinhas a mim”, diz Anja na petição online que criou no site Change.org. “Eu só quero que todo mundo se sinta bem consigo mesmo, não importa se tenham uma deficiência, cegueira, surdez, diabetes, e tantas outras coisas! O importante é se sentir bem com você mesmo!”, explica a menina. A petição é destinada à vice presidente da marca e já alcançou mais de 2000 assinaturas. Anja até mesmo já protagonizou entrevistas na televisão norte-americana sobre o assunto. OS MOTIVOS DA FAMA E DO SUCESSO DAS “AMERICAN GIRLS” É bem provável que a petição surta efeito. A marca American Girl tem como diferencial produzir bonecas grandes (cerca de 45 cm de altura), extremamente bem feitas e que possuem uma gama muito diversa de roupas e acessórios. As lojas da American Girl são verdadeiros templos de consumo infantil, no qual se pode adquirir livros que contam a história de cada boneca, roupas para as “donas” iguais às das bonecas e, até mesmo, tomar um lanche especial com os brinquedos. Cada boneca custa cerca de R$200, porém estima-se que uma visita “completa” em uma loja da marca (incluindo o lanchinho) não saia por menos de R$1000.

Conheça a lanceta “gentil” com seu dedo – a Genteel Poker

Já pensou tirar uma gotinha de sangue do dedo sem sentir dor alguma? Veja os resultados dos primeiros testes com a nova lanceta ‘Genteel Poker’. Já imaginou uma maneira de tirar sangue sem sentir nenhuma dor? Essa é a ideia do Genteel Poker, um novo dispositivo que quer tornar as picadas no dedo um pouco menos incômodas. Ele ainda não está à venda no mercado, mas seus criadores sugerem que o lançamento será feito nos próximos meses. A grande pergunta é: será que realmente funciona? O editor do site norte-americano Diabetes Mine, Mike Hoskins, conseguiu um protótipo e o testou. Diagnosticado aos 5 anos de idade com diabetes tipo 1, Mike contou como foi sua experiência com o Genteel Poker, e nós vamos contá-la para vocês. COMO FUNCIONA O GENTEEL POKER? O Genteel Poker tem a aparência e o tamanho de uma caneta marca-texto, com aproximadamente 15 centímetros de comprimento. Para usar, basta pressioná-lo contra a pele e apertar um botão na lateral por alguns segundos. Isso fará com que a tecnologia a vácuo do dispositivo retire uma gota de sangue para ser usada nos testes de glicemia. E qual o segredo para não causar dor? De acordo com seus criadores, a velocidade da agulha para tirar o sangue – menor que dois centésimos de segundos (0.018 segundos) – e sua precisão – de até 0.12 milímetros – aliados a uma ponta de borracha e a tecnologia a vácuo, faz com que o Genteel Poker não tenha contato com nervos e gere uma vibração que elimina a dor e o desconforto. Além disso, o vácuo também permite a retirada de sangue através de uma agulha mais fina do que as tradicionais. TESTANDO O PROTÓTIPO – FUNCIONA DE VERDADE? “Apesar do Genteel Poker não me impressionar, ele parece cumprir sua promessa”, diz Mike. “Portanto, pode ser uma boa alternativa para quem procura um meio menos doloroso de tirar sangue”. Após um dia de uso, Mike fez uma lista de prós e uma lista de contras sobre o Genteel. PRÓS Sim, ele parece ser realmente indolor! Quando a agulha tocou minha pele – testei no meu dedo, braço e perna – tudo o que senti foi um impacto e uma pequena vibração. Perceptível? Sim. Causa dor? Não. Usei o Genteel 10 vezes para medir a glicemia, comparei o resultado com meu aparelho tradicional e não observei discrepâncias. Não há necessidade de agulhas especiais. Para crianças, principalmente aquelas que acabaram de ser diagnosticadas com diabetes, pode ser muito assustador ter que picar o dedo diversas vezes ao longo do dia. A semelhança do Genteel Poker com uma caneta marca-texto pode tornar o teste de glicemia mais divertido para elas. Além disso, os dispositivos serão coloridos e personalizáveis, com uma variedade de stickers para enfeitá-los. CONTRAS Depois de usar, o Genteel Poker deixa uma pequena marca na pele. Foi um pouco irritante para mim essa marca ter permanecido na pele horas após o uso. Ele é grosso, volumoso, maior que outros aparelhos para medir glicemia disponíveis no mercado. Por isso, pode ser mais complicado para você levá-lo a todos os lugares. Além disso, é mais barulhento também. Preço – há uma oferta especial no site para comprar o dispositivo por U$ 100 até o dia 30 de abril. Após essa data, o preço irá subir para U$129. Apesar de indolor, uma das desvantagens da nova lanceta é deixar uma visível marca no local de aplicação, que pode durar várias horas. imagem:DiabetesMine.com A HISTÓRIA DO GENTEEL POKER O Dr. Christopher Jacobs, criador do Genteel Poker, conta que a ideia de fazer o dispositivo surgiu há uma década, enquanto conversava com um amigo seu que havia sido diagnosticado com diabetes tipo 1. Esse seu amigo estava se queixando das picadas no dedo para os testes de glicemia e comentou, brincando:“Chris, você tem um estilo de gênio, não pode fazer nada para me ajudar? Meus dedos doem muito”. Com sua formação em engenharia biomédica, Jacobs criou um protótipo do Genteel Poker 8 anos atrás. Esse protótipo tinha o tamanho de uma garrafa de ketchup, e seu amigo lhe disse que o dispositivo não era prático. Se tivesse o tamanho de uma caneta marca-texto, entretanto, seria de grande interesse. Demorou oito anos, mas Jacobs conseguiu. “Não é um grande avanço tecnológico”, diz Jacobs. “Na verdade, apenas refinei o dispositivo para ser prático de usar. Eu diria que é uma implementação inteligente de tecnologias já testadas, todas trabalhando em conjunto”

NOVA PROMESSA DAS PISCINAS (E DIABÉTICO TIPO 1) GANHA OURO!

Matheus Santana, jovem nadador considerado o “novo Cielo” e diabético há 9 anos, vence competição internacional com tempo recorde. . Matheus Santana é um nome que, se você ainda não ouviu, certamente escutará muito durante os próximos anos. O jovem de apenas 17 anos já é chamado de “o novo Cielo” (em referência ao campeão olímpico César Cielo) – e com bons motivos! Matheus vem, ao longo dos últimos dois anos, baixando constantemente os recordes juvenis de várias modalidades da natação e que antes pertenciam a Cielo. Além disso, na última semana, ganhou uma medalha de ouro nos Jogos Sul-Americanos de natação – fazendo o oitavo melhor tempo do mundo em 2014. E tudo mesmo apesar do seu diabetes tipo 1! Matheus começou a nadar aos cinco anos de idade, devido a problemas respiratórios. Três anos depois, foi diagnosticado com diabetes tipo 1. Nesta época, a piscina já fazia parte da rotina do garoto e ele decidiu não abdicar dela para tratar a doença. O esforço valeu a pena. O talento de Matheus dentro d’água é indiscutível e tem rendido bons frutos. Em 2011, ele venceu o Troféu Chico Piscina, ficando com tempo poucos décimos de segundo abaixo do recorde do torneio. No ano seguinte, foi à Grécia participar da competição juvenil internacional Multinations. E venceu, batendo o recorde dos jogos para os 100m livres. Tanto sucesso garantiu apoio de alguns dos melhores treinadores de natação do mundo. A meta agora é treiná-lo para que possa fazer parte da equipe masculina brasileira nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. E O DIABETES TIPO 1, AJUDA OU ATRAPALHA MATHEUS DURANTE AS PROVAS E TREINAMENTOS? Por um lado, atrapalha. No último ano, ele não pode participar do Mundial Juvenil em Dubai porque estava com a glicemia fora de controle… Porém, por outro lado, ter diabetes é uma ajuda e tanto na hora de ser um campeão. Explica Matheus, em entrevista ao site GloboEsporte.com: “Tanto no meio esportivo quanto na doença, no caso a diabetes, você tem que ter muita disciplina. E isso até ajuda um pouco, porque eu tenho que tomar meu remédio na hora certa, treinar na hora certa, dormir na hora certa”. O treinador do garoto, Rodrigo Roque, conta: “A gente fica preocupado com a questão dos horários em competições que acabam mudando o horário de alimentação, de descanso. Só tentamos fazer com que ele não esqueça de medir a glicose por causa da correria”. Para controlar corretamente a glicemia, o jovem campeão leva diariamente para os treinamentos sua insulina. Ele injeta quatro vezes ao dia o hormônio. E isto se tornou tão corriqueiro, tão “rotina” que nem influencia negativamente o ritmo de treinos, muito menos seus sonhos. “Hoje tenho certeza que quero ser nadador. O meu objetivo principal é ser o melhor do mundo nas minhas provas, ser campeão olímpico. Até 2016, vou treinar e me esforçar ao máximo, tentando sempre me manter na ponta nos campeonatos nacionais. Não tenho certeza se vai dar para pegar medalha já em 2016, mas vou estar na briga”, disse nosso futuro campeão olímpico!

PESQUISA

Novidade no transplante de células produtoras de insulina Uma alternativa para tratar o diabetes tipo 1 é transplantar no diabético células que geram insulina. Um avanço tecnológico inédito promete facilitar o método. Quando nosso sistema imune entra em parafuso e passa a atacar o próprio corpo, é hora de revidar com a mais alta tecnologia científica! O diabetes tipo 1 é causado por um ataque – o qual ninguém ainda entende por que acontece – do sistema imune contra as próprias células que produzem insulina. Com isto, a quantidade de insulina no corpo vai diminuindo com o tempo, a quantidade de açúcar no sangue aumenta e instala-se o diabetes. Uma terapia que surgiu há poucos anos é o transplante de células produtoras de insulina – chamadas de células-beta. Já que o corpo está destruindo as próprias células-beta, que tal adicionar novas para suprir a produção de insulina? O problema é que, para que este transplante dê certo, é necessário que o sistema imune seja “desligado” temporariamente através de potentes agentes químicos, para que ele não destrua as novas células. Este procedimento de “desligamento” traz muitos efeitos colaterais negativos aos pacientes. Um novo trabalho, porém, traz esperanças de que esta realidade seja coisa do passado. Cientistas de São Francisco, nos EUA, e Seul, na Coréia do Sul, conseguiram implantar células-beta saudáveis em camundongos diabéticos tipo 1 sem o uso de medicamentos para “desligar” o sistema imune. Na prática, a descoberta abre a perspectiva de um futuro tratamento para diabéticos no qual novas células-beta serão implantadas com maior tranqüilidade, fazendo com que o corpo volte a produzir insulina naturalmente – e tudo isto sem o paciente passar por um tratamento químico danoso. Para quem gosta de detalhes científicos, o segredo de sucesso da nova pesquisa consistiu em dois passos. No primeiro, os camundongos diabéticos receberam um medicamento chamado de ciclofosfamida, utilizada no tratamento do câncer. Este medicamento mata apenas um tipo de célula do sistema imune (a saber, as células T efetoras). O segundo passo foi injetar nos camundongos células T regulatórias, que ajudam o sistema imune a modular a resposta aos ataques contra o organismo. Este coquetel, é importante salientar, não “desliga” o sistema imune como um todo, apenas um pedaço dele, apenas algumas células específicas. Com isto, a saúde dos camundongos manteve-se muito melhor do que quando são submetidos às substâncias tóxicas antigas. NOVIDADES PARA OS HUMANOS Dos camundongos utilizados no estudo, um impressionante número de 70% deles aceitou, sem rejeições, as novas células-beta implantadas. Elas mantiveram-se funcionando ao longo do tempo e ajudaram os animais a voltar a controlar a glicemia, eliminando, assim, o diabetes. Com isto, os bichinhos não precisaram tomar medicamentos imunossupressores, que normalmente são dados a recebedores do transplante por toda a vida. Os cientistas já começaram a testar a alternativa terapêutica em humanos. Eles já recrutaram diabéticos tipo 1 para exames clínicos, que devem começar nas próximas semanas. Para novidades sobre esta novidade empolgante para quem está com diabetes tipo 1, fique ligado aqui no Diabeticool. ATUALIZAÇÃO: Já que houve grande interesse pela matéria, aqui está a publicação científica – de leitura extremamente técnica, avisamos de antemão – que traduzimos em linguagem mais acessível no texto acima: “Attenuation of Donor-Reactive T Cells Allows Effective Control of Allograft Rejection Using Regulatory T Cell Therapy“.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Descoberta ligação entre a gripe e o diabetes tipo 1

Pesquisa fortalece a tese de que infecções do sistema respiratório que pegamos na infância podem ser a causa por trás do desenvolvimento do diabetes tipo 1.
Será que uma infecção simples, como um resfriado, pode desencadear processos que levam ao diabetes tipo 1? Cada vez mais há evidências que suportam a teoria. Uma novidade científica de grande impacto foi anunciada ontem (21/2) e pode ajudar a responder a uma das questões mais misteriosas quando o assunto é diabetes: afinal, o que causa o diabetes tipo 1? O diabetes tipo 1 se desenvolve quando o sistema imune – que normalmente destrói apenas elementos nocivos ao nosso corpo, como vírus e bactérias – passa a atacar o próprio organismo. No caso, o nosso sistema de defesa passa a dizimar as células beta, produtoras de insulina. Com isso, cada vez menos insulina é gerada, as taxas de açúcar no sangue aumentam e o diabetes aparece. Até hoje, ninguém sabe com certeza o que promove este comportamento “auto-destrutivo” do sistema imune. Algumas teorias defendem que infecções adquiridas pouco após o nascimento são capazes induzir o sistema imune a se comportar da maneira errada. Mas é muito difícil estudar se infecções no início da vida são, realmente, a causa do diabetes tipo 1. Por isso, os cientistas buscam outras maneiras de detectar a causa da doença. Uma delas é estudar o funcionamento dos genes. UM GENE DE DUAS CARAS Quando pegamos uma infecção causada por vírus, como por exemplo uma gripe, genes relacionados ao sistema imune entram em ação. Eles passam a ser mais expressos no nosso corpo, isto é, eles “funcionam mais” quando estamos doentes. Um destes genes, chamado de IFN (anti-viral type I interferon), é muito importante para a defesa do organismo contra os vírus. Ele ajuda a coordenar o sistema imune para destruir os invasores e a impedir que eles se reproduzam dentro do corpo. Porém, apesar de realizar estas ações benéficas, o gene IFN parece estar também relacionado ao diabetes tipo 1. Algumas pesquisas científicas anteriores perceberam que crianças com diabetes tipo 1 tinham expressão maior do IFN. Será que a ação do IFN, que normalmente ajuda o corpo a se livrar de vírus, pode também induzir o sistema de defesa do corpo a destruir as próprias células beta? AS DESCOBERTAS DA NOVA PESQUISA Agora, cientistas da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, o da ONG pró-diabéticos JDRF encontraram evidências que fortalecem a correlação entre infecções virais e o diabetes tipo 1. O elo ente elas é, justamente, o IFN.
A pesquisa acompanhou 283 crianças, divididas em três grupos: as saudáveis, as com alta suscetibilidade ao diabetes tipo 1 e as com diabetes tipo 1. A saúde de cada uma delas foi acompanhada ao longo de vários anos. Os cientistas perceberam um padrão curioso. Algumas das crianças com altas chances de ter diabetes tipo 1 desenvolveram, de fato, a doença. Nestes casos, houve um aumento temporário da ação do gene IFN pouco antes do corpo começar a atacar as próprias células beta. Analisando diários escritos pelas crianças, os pesquisadores descobriram que o aumento na atuação do IFN era correlacionada a infecções do sistema respiratório, como gripes e resfriados, que as crianças haviam pegado. Interessante notar que o gene IFN não se mostrou mais ativo no grupo das crianças saudáveis nem daquelas que já estavam com diabetes tipo 1. Ou seja, os cientistas descobriram sólidas evidências de que infecções virais levam a um aumento na ação do gene IFN, e que isto é fortemente relacionado ao início da destruição das células beta pelo sistema imune. “Esta é uma descoberta excitante, porque nós sabemos que colegas na Finlândia fizeram descobertas semelhantes, então os resultados são verdadeiros”, disse o professor John Todd, co-diretor do projeto de pesquisa. Este novo estudo científico, além de fornecer pistas valiosas para entender melhor a ‘mecânica’ por trás do diabetes tipo 1, também poderá ajudar pais e médicos a monitorar a saúde das crianças. O gene IFN é um possível candidato a biomarcador para o monitoramento do diabetes tipo 1 em crianças predispostas à doença. Referência científica: Ferreira RC et al. “A type I interferon transcriptional signature precedes autoimmunity in children genetically at-risk of type 1 diabetes”. Diabetes 63, 03/2014.

O que podemos esperar da nova leva de glicosímetros

O novo medidor de glicemia “MyStar Extra” oferece uma prévia do que podemos esperar destes aparelhos no futuro próximo.
O avançado aparelho “MyStar Extra” chegou este mês às lojas na Europa. Mas e os lançamentos mais recentes, aqueles que poderão chegar aqui ao Brasil nos próximos meses? O que podemos esperar da nova leva de glicosímetros? Uma novidade recém-lançada na Europa ajuda a responder esta questão. A farmacêutica Sanofi começou a vender por lá o medidor de glicemia MyStar Extra, apresentado ao mundo pela primeira vez em Outubro do ano passado em uma reunião da Associação Européia para o Estudo do Diabetes. A grande novidade do aparelho é uma tecnologia inovadora capaz de prever os valores de hemoglobina glicada. Outros glicosímetros à venda já fazem esta predição, porém o MyStar Extra trabalha de uma maneira diferenciada e, segundo o fabricante, muito mais precisa. A forma tradicional que os glicosímetros usam para calcular as taxas de HbA1c é através de uma média simples dos valores de glicemia registrados. Porém, se a pessoa fizer medições com números de glicemia muito altos ou muito baixos dentro de um curto espaço de tempo, o cálculo fica comprometido. O MyStar leva em consideração o tempo entre uma medicação e outra para evitar este erro, além de considerar que tipo de refeição a pessoa ingeriu (se foi café da manhã, almoço, lanche ou jantar). Além disso, o aparelho calcula uma média da glicemia de jejum dos últimos 3 dias e indica visualmente, através de setinhas no visor, se a tendência desta glicemia é subir ou descer. Com isto, fica fácil para o diabético acompanhar como modificações na dieta alimentar ou no estilo de vida estão afetando as taxas de açúcar do seu sangue. O MyStar Extra está à venda, por enquanto, apenas na Europa e deve chegar em breve aos EUA. Se seguir a tendência observada nos últimos anos, só depois de ser aprovado na América do Norte é que podemos torcer para que chegue aqui no Brasil.

Um bafômetro que detecta diabetes?

Há muito mais no hálito do que supõe nossa vã filosofia. Toda vez que expiramos, junto com o ar saem diversas outras moléculas que, por terem vindo diretamente do interior do corpo, podem contar diversos segredos do que está acontecendo dentro de nós. A empresa japonesa Toshiba, famosa por seus equipamentos eletrônicos, pretende utilizar estas moléculas que vêm junto com nosso hálito em um novo bafômetro, capaz de detectar muito mais do que a quantidade de álcool ingerido. O anúncio do bafômetro foi feito na semana passada. Com início da produção marcado para o ano que vem, o novo equipamento utiliza um raio laser especial para analisar o hálito, capaz de detectar diversas moléculas. A partir delas, será possível prever doenças – entre elas o diabetes – e sugerir novos modelos de dietas e exercícios físicos – além, é claro, de detectar quanto álcool foi bebido. A seguir, compilamos uma lista do que o bafômetro será capaz de detectar no hálito quando for lançado: Acetaldeído – gerado no corpo após a ingestão de álcool. É ele que causa a ressaca e é utilizado como base do exame do bafômetro nas estradas. Acetona – indicador de obesidade e diabetes, por ser um intermediário do metabolismo de ácidos graxos. Monóxido de carbono – um gás muito tóxico ao organismo e que indica o quanto a pessoa anda fumando. Metano – gás liberado por bactérias intestinais. Poderá ajudar a entender como anda a saúde do intestino da pessoa analisada. Óxido nítrico – gás decorrente de inflamações nas vias aéreas. Poderá ser utilizado a fim de diagnosticar asma. Dióxido de carbono 13C – molécula produzida pela bactéria Helicobacter pylori, associada a problemas gastro-intestinais como úlceras e câncer de estômago.
“Nós enxergamos um enorme potencial no bafômetro, desde medir a eficiência na saúde de regimes de exercícios físicos e suplementos nutricionais até fazer diagnósticos”, disse Naoko Toyoshima, especialista em tecnologia da empresa japonesa. “Nós vamos criar novas colaborações com Universidades e hospitais para construir uma base de conhecimento de análises do hálito e dar suporte a aplicações práticas e de amplo espectro”, completou. A Toshiba iniciará no dia primeiro do próximo mês uma colaboração com a Universidade Waseda, um dos centros de excelência em pesquisa tecnológica no Japão, para determinar em detalhes como a quantidade de acetona exalada no hálito se correlaciona ao metabolismo de gorduras. A esperança da empresa é que, no futuro próximo, uma simples baforada em sua máquina dará um diagnóstico razoavelmente acurado de alguns problemas de saúde, além de sugerir mudanças comportamentais que poderiam melhorar a saúde da pessoa. Será que em breve o diagnóstico do diabetes será feito apenas com um assopro?

O controle do diabetes é possivel, basta que façamos a nossa parte. Ter fé não significa que precisa deixar tudo na mão de Deus, respeito a sua fé, mas é preciso aceitar que Ele ja nos deu as ferramentas para seguir em frente, podemos fingir que não vemos e cobrar dele ainda mais porque somos naturalmente egoistas, ou simplesmente aceitar e fazer o que precisa ser feito, e agradecer por hoje ser possivel controlar o diabetes. Só isso ja é um milagre!

A moda agora é tirar uma “selfie” da glicemia!

Prática relativamente comum entre diabéticos ganha novo fôlego ao ser promovida em rede social. Objetivo é conscientizar e arrecadar dinheiro para pesquisas.
“Selfies” é o nome que se dá àquelas fotos que uma pessoa tira de si própria, acompanhada ou não, e depois compartilha em redes sociais. O que geralmente nada mais é do que uma demonstração de intenso amor-próprio ganhou um tom positivo e útil esta semana. A comunidade Diabetes UK – o maior grupo online de diabéticos em toda a Europa – lançou a campanha “#BloodSugarSelfies” (algo como “#SelfiesdaGlicemia”, no jargão da internet), na qual os membros postam fotos suas mostrando um glicosímetro e o valor da última medição da glicemia. A idéia da campanha é conscientizar as pessoas – tenham elas o diabetes ou não – sobre a importância de monitorar continuamente os níveis de açúcar no sangue, além de arrecadar dinheiro para pesquisas sobre tratamentos e curas da doença metabólica. Várias pesquisas já mostraram que quem controla rotineiramente os valores de glicemia consegue evitar por muito mais tempo os efeitos negativos que o diabetes pode acarretar no organismo. Mais de cem pessoas já mandaram uma “selfie” mostrando ao mundo a quantas anda sua glicemia para a página do Facebook da campanha (acesse aqui!). Todo mundo que postar uma foto será convidado a doar uma quantia para auxiliar pesquisas científicas. EFEITOS POSITIVOS DA CAMPANHA DO “SELFIE DIABÉTICO” JÁ COMEÇAM A SER SENTIDOS Um representante da organização JDRF, que financia há décadas pesquisas sobre o diabetes tipo 1, afirmou que, em menos de 24 horas da campanha, a ONG já recebeu mais de 60 doações. Na esfera pessoal, os selfies também parecem surtir um bom efeito. Debbie Cannon, mãe de uma garotinha diagnosticada com diabetes, comentou na rede social: “Deixe-me dizer apenas “Muito bem!” para a #BloodSugarSelfies. Minha filha acabou de me dizer ‘Olhar para tanta gente mostrando suas leituras (de glicemia) me dá tanta confiança!’. Então muito obrigada a todos que deram um pouco de inspiração à (minha filha)”. Será que conseguimos fazer uma campanha destas também no Brasil?

quarta-feira, 26 de março de 2014

De volta às aulas e à escola com diabetes

PARA ALUNOS Você que está voltando das férias, e já iniciando um semestre agitado, precisará se organizar para manter tudo sob controle, incluindo o contole do diabetes. Para isso é importante planejar e fazer ajustes nos controles (número e horários), doses de insulina e horários de refeição, e, com isso, evitar surpresas.
Monitorar a glicemias com testes de glicêmia capilar é sempre importante. Quanto há mudança de rotina e/ou ajuste de dose de insulina então, o número diário de testes deve ser aumentado. Para aqueles que passarão mais tempo sentado do que nas férias, por exemplo, aumentam as chances de hiperglicemia e talvez seja necessário conversar com o médico para ajuste de dose de insulina. Para os que se alimentavam em horário diferente nas férias, será importante se readequar à rotina. E lembre-se de sempre estar com o glicosímetro, a insulina e fontes de glicose, como balas e saches de glicose para corrigir eventuais hipoglicemias. Na escola é importante ainda que você avise seus professores e coordenação que você tem diabetes, a fim de que não se surpreendam quando você fizer uma ponta-de-dedo na classe, ou se aplicar insulina; e que autorizem que você coma balas ou outra fonte de glicose durante a aula, caso tenha hipoglicemia. Você perceberá que seus amigos também se interessarão em saber mais sobre o seu diabetes. Lembre-se também de verificar a quantidade de carboidrato dos seus lanches, para poder tomar a insulina de acordo. Nas aulas de educação física, não esqueça que sua glicemia pode baixar, por isso, faça o teste antes (se a glicemia estiver baixa ou baixando coma alguma coisa); durante caso necessário (e tenha balas e sache de glicose no bolso para usar caso esteja baixa); e depois para confirmar que está boa a glicemia. PARA PAIS É importante que os pais informem a escola (coordenação e professores) sobre o diabetes da criança e que levem instruções, avisando sobre necessidade de fazer testes e se aplicar insulina durante o período de aulas; além da possível necessidade de ir ao banheiro e tomar água com maior frequência em caso de hiperglicemia, e necessidade de consumo de balas ou outras fontes de glicose durante a aula, em caso de hipoglicemia.
No caso de crianças menores, a professora deve ser orientada em detalhes, a fim de poder auxiliar a criança nos seus cuidados. PARA PROFESSORES É importante que os professores saibam que o diabetes é uma das doenças crônicas mais frequentes em crianças e adolescentes. Assim, é muito provável que você tenha algum aluno com diabetes. Não se desespere com isso. Esteja aberto para aprender e poder auxiliar esse aluno se necessário, ou apenas dar espaço para que faça seu tratamento de forma adequada enquanto estiver na escola (para adolescentes).
O professor tem um papel importante de inclusão da criança com diabetes no grupo. Muitas crianças ao receberem o diagnóstico se sentem excluídas do grupo por não conhecerem outros que também têm diabetes. O professor pode facilitar essa ressocialização dando espaço para a criança. Em muitas escolas as crianças com diabetes são convidadas a dar aula aos colegas sobre o tema e passam a se sentir mais confiantes com isso. Há obviamente outras estratégias que podem ser usadas, dependendo da faixa etária e das caracteristicas individuais da criança. Saiba mais em: Criança Pequena com Diabetes na Escola, o que fazer? DIABETES NAS ESCOLAS Diabetes na escola Aluno com diabetes Diabetes at School Type 1 Diabetes in School Safe at School ADA

Quantos anos de diabetes? Você já é um medalhista?

Você sabia que desde 1948 o Joslin Diabetes Center, de Boston, EUA, reconhece e homenageia pessoas que vivem por 25 anos ou mais com diabetes tipo 1? São os conhecidos como Joslin Medalists. Inicialmente quem chegava aos 25 anos após o diagnóstico recebia uma medalha, atualmente aos 25 anos de diabetes tipo 1 recebe-se um certificado de reconhecimento, e as medalhas são entregues aos que atingem 50, 75, ou mais anos desde o diagnóstico. Tivemos a oportunidade de acompanhar uma das cerimônias de entrega de medalhas em 2011, quando foi entregue a medalha de mais tempo de diabetes da história da entidade, medalha ao Sr. Bob Kause por 85 anos de diabetes tipo 1 Até 1948 ninguém com diabetes tipo 1 poderia ter atingido 50 de vida após o diagnóstico, pois a insulina só foi descoberta em 1921. Contudo, a partir de 1970 havia pessoas vivendo com diabetes tipo 1 por mais de 50 anos e, com o avanço da ciência, em 1996 começaram a ser distribuídas medalhas reconhecendo os que atingem 75 anos vivendo com diabetes. Até o momento mais de 4.000 medalhas de 50 anos e mais de 65 medalhas de 75 anos foram distribuídas. Não recebem a medalha apenas pacientes do Centro de Diabetes Joslin, ou estadunidenses. Todos os que têm interesse em receber a homenagem por sua conquista de 25, 50 ou 75 anos de diabetes tipo 1 podem submeter sua documentação comprobatória de diagnóstico e uso de insulina e receber o certificado de 25 anos ou a medalha de 50 ou 75 anos de diabetes tipo 1. Para isso, é necessário entrar em contato com a coordenação do programa através do site: www.joslin.org/diabetes-research/joslin_50_year_medalist_study.html Brasileiros, incluindo o Dr. Rogério de Oliveira, que, por muitos anos, inspirou pessoas com diabetes tipo 1 como ele e profissionais de saúde, receberam a homenagem do Joslin Diabetes Center. O Joslin Diabetes Center ainda oferece aos medalhistas a oportunidade de participar de uma pesquisa única que visa identificar as estratégias de tratamento e os fatores endógenos (genótipo/DNA) que os permite chegar a idade tão avançada. Parte dos estudos já revelou que: Quase 50% dos medalhistas de 50 anos não apresentam complicações graves; 40% deles não apresenta retinopatia grave mesmo após 50-80 anos com diabetes tipo 1; Menos de 10% dos medalhistas apresentam qualquer problema nos rins; Mais de 66% dos medalhistas ainda produzem alguma insulina, mesmo após 50 anos de diabetes! Conhecendo o incrível exemplo desses medalhistas, que mantiveram um bom e dedicado controle mesmo quando a tecnologia médica e os medicamentos eram muito precários, incluindo: ausência de medições da glicose, aplicação de insulina somente com seringas de vidro com agulhas grossas (que eram reutilizáveis, precisando ser fervidas entre os usos e as grossas agulhas afiadas), insulina apenas de origem animal (com perfil pouco previsível e alto risco de reação alérgica), podemos nos programar para conquistar medalhas de muito mais tempo de diabetes e de vida, e com muita saúde! Conheça a história de alguns dos medalhistas: www.joslin.org/medalist/medalist_stories.html

O Chá de Pata de Vaca e o Diabetes

O famoso Chá de Pata-de-Vaca talvez seja um dos tratamentos alternativos para o Diabetes mais populares no Brasil. Tenho certeza que quase todos os endocrinologistas (ou até mesmo clínicos) já se depararam com um paciente que diz estar realizando o tratamento de seu diabetes com este “maravilhoso e poderoso” chá (ou mesmo com cápsulas desta planta). Eu mesmo me deparei com um destes pacientes esta semana. E ele foi totalmente enfático: “Doutor, depois que comecei a fazer uso deste chá, meus níveis de glicose baixaram muito.” Depois disso, não tive dúvida: a coluna deste mês seria sobre a Pata-de-vaca. O nome científico da Pata-de-Vaca é Bauhinia variegata (L.), pertencente a família Fabaceae, subfamília Caesalpinioidea. Esta planta é originária da Ásia, mais precisamente China e Índia. No Brasil, o gênero Bauhinia ocorre desde o Piauí até o Rio Grande do Sul, nas formações florestais do complexo atlântico e nas matas de planalto. Suas flores variam de brancas, róseas, roxo-pálidas até avermelhadas. Além das possíveis propriedades medicinais (que comentarei abaixo), esta planta também é muito utilizada no paisagismo, exatamente pela grande beleza de suas flores. Quanto a origem do nome Pata-de-Vaca, vale a pena comentar que ele é devido ao formato de suas folhas, que, de alguma forma, lembram a pata de uma vaca. Agora vem a parte difícil da coluna. Embora uma pesquisa na Internet mostre inúmeros sites que comentam as propriedades antidiabéticas da Pata-de-Vaca, a literatura científica não é tão rica assim. Talvez o fato que tenha chamado mais minha atenção é que não existe NENHUM (isso mesmo, NENHUM) estudo clínico avaliando os efeitos do Chá de Pata-de-Vaca em humanos. Os pouquíssimos estudos que temos (na verdade, são apenas 03) investigam apenas seus efeitos em ratos. Esta total ausência de estudos me deixou bem surpreso e, ao mesmo tempo, preocupado, principalmente no que se refere a segurança desta planta. Embora ela possa realmente ter algumas propriedades que ajudem a baixar os níveis de glicose (novamente, demonstradas apenas em ratos), não temos a menor idéia de quais efeitos colaterais podem estar associados ao seu uso. Da mesma forma, não temos idéia de qual a dose mínima e máxima, qual sua possível interação com outros medicamentos para o diabetes e quais outros efeitos ela teria no corpo humano. Um dos estudos mais interessantes que encontrei foi realizado na Universidade Estadual do Norte Fluminense, em Campos dos Goytacazes (Rio de Janeiro). Neste estudo, os autores conseguiram identificar nas folhas da Pata-de-Vaca uma proteína que é estruturalmente parecida com a insulina bovina. Esta similaridade estrutural PODE fazer com que esta molécula, presente no chá, funcione parcialmente como a própria insulina produzida pelo corpo humano. Vale a pena ressaltar que, embora estes resultados sejam extremamente promissores e interessantes, eles apenas mostram que ainda temos muito o que pesquisar antes de começar a utilizá-la para o tratamento do Diabetes. Não sabemos qual a potência desta molécula, qual a dose ideal e, principalmente, qual o risco de hipoglicemia associado ao seu uso. Não sabemos também como ela é metabolizada e quais outros efeitos ela terá no corpo humano. A literatura científica sugere que esta planta pode ter outros efeitos além dos efeitos na glicose e, portanto, muita pesquisa ainda é necessária antes de indicarmos seu uso para o Diabetes ou qualquer outra doença. Em resumo, parece que, mais uma vez, a cultura popular está correta. A Pata-de-Vaca realmente PARECE ter alguns efeitos benéficos sobre os níveis de glicose. Mas isso não indica que ela deve ser utilizada como medicamento para tratamento do diabetes, seja isoladamente seja combinada com outros medicamentos disponíveis no mercado. Esperamos que mais pesquisas sejam feitas, principalmente em humanos, para que possamos conhecer todos os detalhes desta planta e definir seu real papel no tratamento do diabetes e até mesmo de outras doenças.

terça-feira, 25 de março de 2014

Google cria lente de contato que combate a diabetes

A nova invenção da empresa: a Lente de Contato Google
Uma boa notícia está prestes a sair dos laboratórios do Google. E ela pode facilitar a vida dos mais de 350 milhões de pessoas que sofrem com o diabetes mundo afora. Trata-se da Lente de Contato Google. Ela tem um chip que faz a medição da glicose, analisando a composição das lágrimas. Ou seja, em vez das incômodas agulhas que furam os dedos para coletar sangue e medir a taxa de açúcar, uma lente de contato que faz o mesmo, continuamente, sem dor, sem incômodo. “Na lente, temos um chip sem fios, que transmite as informações continuamente para um sensor. Nós esperamos que, algum dia, essa lente possa ser uma ferramenta para ajudar quem tem diabetes a monitorar melhor a doença”, diz o engenheiro responsável pelo projeto. A lente do Google ainda é um protótipo e não tem data para chegar ao mercado, mas é mais um exemplo de como, nos próximos anos, a medicina vai ganhar aliados poderosos graças à tecnologia.

Manga e diabetes: a combinação perfeita

Uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) constatou que a manga é um excelente coadjuvante no tratamento do diabetes e pode ser incorporada de forma simples e prática na alimentação do dia a dia. Apesar de a fruta ser saborosa, rica em vitamina C e betacaroteno (precursor da vitamina A), foram as grandes quantidades de fibras, particularmente a pectina, que despertaram interesse da equipe da Esalq em estudá-la mais detalhadamente. A pectina é uma fibra solúvel que, como todas, pode apresentar efeito hipoglicemiante (reduz a glicose) por retardar a digestão de amido e outros polissacarídeos, processo que leva à liberação da glicose no estômago para o intestino e a absorção mais lenta pelo organismo, evitando que seus níveis se elevem de modo muito rápido e intenso no sangue. Na pesquisa, foram analisados dois grupos de diabéticos. Um grupo recebeu uma dieta contendo 5% de manga e o outro recebeu uma dieta sem a fruta, mas com alimentos que controlam a doença. A cada 15 dias, o sangue de todos era coletado para determinação de glicose sanguínea e glicogênio hepático. Ao final da pesquisa, a glicemia chegou ao nível de 107mg/dl nos pacientes que receberam a manga, enquanto naqueles que receberam a dieta-convencional manteve-se o nível de glicose em 330mg/dl. Os pesquisadores explicam que os pacientes que receberam manga na dieta apresentaram o nível de glicogênio 64% maior do que aqueles alimentados com a dieta-controle, o que é excelente, já que o ideal é que a maior parte da glicose absorvida não seja utilizada imediatamente e sim que seja armazenada no fígado sob a forma de glicogênio. A manga pode ser consumida in natura ou em sorvetes, sucos, saladas e outras refeições, mas deve-se prestar atenção na dieta, afinal ela também é rica em calorias.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Pesquisa

Estudo relaciona diabetes e câncer de pâncreas Segundo autores da maior revisão já feita sobre o tema, médicos devem considerar rastrear tumores em pessoas que desenvolvem diabetes sem uma causa óbvia
Incidência de tumores de pâncreas foi maior após diagnóstico de diabetes Pesquisadores australianos encontraram uma relação entre o diabetes e o câncer de pâncreas. A descoberta, publicada na última sexta-feira no periódico Annals of Surgical Oncology, foi feita a partir da revisão de 88 estudos internacionais de 1973 a 2013, realizada por médicos e matemáticos. Trata-se da maior análise registrada sobre o tema. Segundo Mehrdad Nikfarjam, especialista em fígado, pâncreas e vias biliares no Departamento de Cirurgia da Universidade de Melbourne, o câncer de pâncreas costuma ser descoberto em estágio avançado, quando é incurável. "Esse é um estudo importante que destaca para médicos e pacientes recém-diagnosticados com diabetes sem uma causa óbvia a importância de investigar câncer de pâncreas", O estudo revelou que a incidência de tumores de pâncreas foi maior após o diagnóstico de diabetes e permaneceu elevada por muitos anos depois da descoberta. "A presença do diabetes continua a ser um fator de risco moderado para o desenvolvimento de câncer mais tarde na vida", afirma Nikfarjam. Embora o número de casos de câncer de pâncreas seja relativamente baixo — no Brasil, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), eles são responsáveis por 2% de todos os tipos de câncer e por 4% das mortes decorrentes da doença — a pesquisa sugere que os médicos devem considerar exames de rastreamento em pacientes diabéticos. "Pode ser importante rastrear em todas as pessoas recém-diagnosticadas com diabetes, especialmente aquelas sem fatores de risco. Os exames também podem se estender a diabéticos de longa data". Revista VEJA
Cada vez mais tenho certeza que o teste de glicemia tem que se tornar obrigatório! Mais uma criança morre por falta de exames complementares.. uma simples ponta de dedo, teria feito toda a diferença. Meu coração dói quanddo leio uma notícia dessas, fora os casos que não são relatados.
"Os grãos integrais não passam pelo processo de refinamento; assim, mantêm suas propriedades nutricionais e ajudam a prevenir doenças como obesidade, diabetes e problemas intestinais", explica Rosana Cardoso, nutricionista do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE).

5 exames importantes para monitorar a diabetes

  Quem precisa realizar um exame para  diabete s conta com uma série de testes que ajudam a monitorar os níveis de glicemia no sangue. Atrav...