sexta-feira, 2 de maio de 2014

Neuropatia diabética atinge também o cérebro

“Imagine que você saiu de casa numa noite agradável usando um par de sapatos apertadíssimos, e no dia seguinte seus pés estão te matando. É assim que se sente quem tem que conviver com os danos ao nervos causados pelo diabetes”. O relato acima é de uma mãe de família, 45 anos e diabética tipo 2 há 5. Ela sofre de neuropatia diabética, uma das conseqüências mais comuns do diabetes, seja o tipo 1 ou o tipo 2 (estima-se que 1/3 de quem está com diabetes tenha neuropatia). A mãe conta que há dias em que ela mal consegue se mexer – levar os cachorrinhos para passear é impossível, e até mesmo assar um bolo requer a ajuda do marido na hora de mexer a massa. Para sorte dela e de milhões de pessoas em todo mundo que sofrem com a neuropatia, uma descoberta traz esperanças de que, em breve, o diagnóstico da doença poderá ser feito bem mais cedo, ajudando a evitar seu desenvolvimento. O QUE É A NEUROPATIA DIABÉTICA? Aprenda aqui! COMO A NEUROPATIA ATINGE O CÉREBRO? A descoberta em questão foi feita por cientistas da Universidade de Sheffield, na Inglaterra, e publicada na revista Diabetes Care. Os pesquisadores descobriram que pacientes com neuropatia diabética apresentavam volume menor de uma região do cérebro responsável por processar sensações e dores. É a primeira vez que a neuropatia é relacionada a danos no cérebro. Até então, acreditava-se que os danos ao órgão causados pela doença seriam bem limitados e pouco influiriam na saúde da pessoa. Através de técnicas modernas de ressonância magnética, os cientistas estudaram os cérebros de diabéticos tipo 1 e tipo 2 com neuropatia e, quando compararam com os cérebros de não-diabéticos, perceberam o tamanho menor da região das “células cinzentas”. COMO A DESCOBERTA AJUDARÁ A TRATAR A NEUROPATIA O dr. Dinesh Selvarajah, um dos autores do trabalho, explica: “Nosso estudo revela pela primeira vez o quanto a neuropatia diabética está envolvida com o cérebro, causando encolhimento e redução da principal região do cérebro associada às sensações”. “Esta é uma nova descoberta que ajudará, e muito, a entender, tratar e prevenir a doença, que até então nós achávamos que era bastante inócua em termos de efeitos no cérebro”, disse o pesquisador. Os próximos passos das pesquisas são determinar exatamente quando o cérebro começa a ser influenciado pela neuropatia e buscar maneiras de impedir que isto ocorra. As esperanças são de que, em pouco tempo, dores como a da mãe de família do início do texto possam ser completamente evitadas.

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