No blogger diabete tipo 1, voce encontra receitas de alimentação saudavel e sobre os avanços na medicina para uma qualidade de vida com diabetes
sexta-feira, 17 de julho de 2015
ABUSO DE ÁLCOOL NO PACIENTE DIABÉTICO
Uma das dúvidas mais comuns no consultório quando um paciente diabético está em tratamento é sobre ingerir bebidas alcóolicas ou não. E aqui, para responder, precisamos explicar um pouco...
As bebidas alcóolicas, além do álcool, são compostas de carboidratos. No geral, falamos que as bebidas contêm calorias vazias, ou seja, que ingere bebidas alcoólicas ingere calorias mas, não ingere nutrientes, sendo portanto um alimento nutricionalmente pobre.
Para os pacientes diabéticos tipo 2, ingerir bebidas alcoólicas pode levar inicialmente ao aumento dos níveis de glicose no sangue, se a bebida for acompanhada da alimentação. Isso porque as bebidas alcoólicas são, geralmente, muito calóricas. E calorias a mais são iguais a ganho de peso.
No entanto, uma situação inversa pode acontecer. O nosso fígado tem várias tarefas essenciais ao nosso corpo. Uma delas é controlar os níveis de açúcar na corrente sanguínea. Quando um paciente diabético bebe de estômago vazio, o fígado fica muito ocupado desativando o álcool ingerido, e dessa forma não consegue regular a quantidade de açúcar no sangue de forma correta. O resultado é que as taxas de açúcar no sangue podem cair, levando ao risco de hipoglicemia.
Para os pacientes diabéticos adultos, a ingestão diária de etanol deve ser limitada a uma dose ou menos para mulheres e duas doses ou menos para homens. Isso é o equivalente a 1 dose 150 ml de vinho (1 taça) ou 360 ml de cerveja ou 45 m de destilados, o que equivale a 15 g de etanol.
Aqui, nunca o paciente deve beber sem se alimentar, e recomenda-se que seja feita uma alimentação antes e também que a glicose seja controlada durante o período de ingestão do álcool. Ah, lembre-se que gestantes, crianças, adolescentes e pacientes com problemas de colesterol e fígado não devem beber!
Tenha sempre cuidado. Quantidades maiores que 30g de etanol por dia podem causar sérios danos como desidratação, aumento da insulina e da pressão. Se você não é diabético, bebidas em excesso são uma das principais causas de desenvolvimento de Diabetes tipo 2, porque estão associadas ao ganho de peso. Para terminar, mais um recado: nunca dirija depois de beber! Saúde, você só tem uma!
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Dra. Andressa Heimbecher Soares
Endocrinologista
Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.
Médica colaboradora do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
Membro Titular da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e Membro Ativo da Endocrine Society.
Diabetes também pode prejudicar o cérebro
Segundo estudo publicado na revista científica 'Neurology', pessoas diagnosticadas com a doença podem apresentar declínio cognitivo
O cérebro dos diabéticos pode sofrer alterações que afetam as funções cognitivas (VEJA.com/VEJA)
Um estudo publicado recentemente na revista científica Neurology revelou que as mudanças que ocorrem nos vasos sanguíneos do cérebro dos diabéticos também podem prejudicar as funções cognitivas. Para o estudo, os pesquisadores acompanharam 65 adultos com idade avançada - metade deles saudável e a outra metade com diabetes tipo 2 - durante dois anos.
Os participantes então foram submetidos a testes de cognição antes e depois do período de observação. Segundo os achados, o grupo de diabéticos teve um desempenho pior nas atividades cotidianas em comparação aos resultados do primeiro teste. Além disso, aqueles que estavam entre os saudáveis quase não apresentaram diferença nos resultados das avaliações cognitivas realizadas durante o acompanhamento.
Para os pesquisadores, esse declínio ocorreu devido à oscilação nos níveis de açúcar comum nos diabéticos, que é capaz de prejudicar as células e nervos, causando uma resposta inflamatória. Com isso, os vasos perdem flexibilidade e ficam mais maleáveis -- o que dificulta uma resposta a comandos simples, como mover os dedos, por exemplo.
O cérebro dos diabéticos pode sofrer alterações que afetam as funções cognitivas (VEJA.com/VEJA)
Um estudo publicado recentemente na revista científica Neurology revelou que as mudanças que ocorrem nos vasos sanguíneos do cérebro dos diabéticos também podem prejudicar as funções cognitivas. Para o estudo, os pesquisadores acompanharam 65 adultos com idade avançada - metade deles saudável e a outra metade com diabetes tipo 2 - durante dois anos.
Os participantes então foram submetidos a testes de cognição antes e depois do período de observação. Segundo os achados, o grupo de diabéticos teve um desempenho pior nas atividades cotidianas em comparação aos resultados do primeiro teste. Além disso, aqueles que estavam entre os saudáveis quase não apresentaram diferença nos resultados das avaliações cognitivas realizadas durante o acompanhamento.
Para os pesquisadores, esse declínio ocorreu devido à oscilação nos níveis de açúcar comum nos diabéticos, que é capaz de prejudicar as células e nervos, causando uma resposta inflamatória. Com isso, os vasos perdem flexibilidade e ficam mais maleáveis -- o que dificulta uma resposta a comandos simples, como mover os dedos, por exemplo.
sábado, 4 de julho de 2015
Novo adesivo inteligente promete acabar com as injeções de insulina
Aplicado na pele sem nenhuma dor, adesivo é capaz de medir a glicemia e liberar a quantidade exata de insulina. Testes com humanos devem começar em breve.
No futuro próximo, o controle do diabetes poderá ser feito sem nenhuma injeção e sem picadas constantes nos dedos para medir a glicemia. Bastará aplicar um pequenino adesivo sobre a pele e pronto – a quantidade de açúcar no sangue estará controlada!
Esta é a promessa do “adesivo inteligente“, criado por pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, para quem está com diabetes. A novidade científica, ainda em desenvolvimento, foi publicada no periódico Proceeding of the National Academy of Sciences.
O QUE É E COMO FUNCIONA O ADESIVO INTELIGENTE?
Para quem precisa injetar insulina várias vezes ao dia para controlar a glicemia – especialmente diabéticos tipo 1 -, o adesivo poderá ser o melhor amigo da saúde e evitar desconfortos.
“A parte difícil do diabetes não é a injeção de insulina, medir a glicemia ou a dieta, mas o fato de que você tem que fazer tudo isso várias vezes todos os dias, durante toda a sua vida’, dr. John Buse (co-autor do estudo)
O adesivo é um pequeno quadrado, do tamanho de uma moedinha. Na face inferior, ele possui uma centena de “microagulhas” especiais, extremamente pequenas e que grudam na pele sem provocar qualquer dor.
As microagulhas são pequenas, porém capazes de atingir os finos vasos sangüíneos na superfície da pele. Quando em contato com o sangue, as microagulhas conseguem detectar a quantidade de açúcar na circulação e liberam insulina de acordo, a fim de corrigir excessos. É por este revolucionário sistema de detecção que o adesivo é chamado de “inteligente”.
“Nós desenvolvemos um adesivo para diabéticos que funciona rapidamente, é fácil de usar e é feito de materiais não-tóxicos e biocompatívies”, explicou o principal autor do estudo, o prof. Zhen Gu (foto), do Departamento de Engenharia Biomédica da Universidade da Carolina do Norte.
“O sistema inteiro pode ser personalizado, sendo ajustável para o peso e a sensibilidade à insulina do paciente. Assim, podemos tornar o “adesivo inteligente” ainda mais inteligente”.
MUITA TECNOLOGIA AJUDA A MANTER A SAÚDE CONTROLADA POR DIAS
O novo adesivo já foi testado, com sucesso, em camundongos diabéticos. Com ele, os cientistas conseguiram controlar a glicemia corretamente durante nove horas.
A insulina é guardada em pequenos compartimentos dentro das microagulhas do adesivo (foto abaixo). Ou seja, uma hora o hormônio acaba e o adesivo deverá ser trocado. Nos testes atuais, um adesivo dura algumas horas, mas a meta dos pesquisadores é torná-lo funcional, para humanos, durante vários dias seguidos.
“[Esta tecnologia] é muito, muito empolgantes, mas ainda preliminar. Levará anos até determinarmos se vai funcionar bem em humanos. Mas se funcionasse, seria fantástico”, disse o dr. John Buse, um dos autores do trabalho e diretor do North Carolina Diabetes Care Centre.
John explica que uma das maiores vantagens do adesivo é evitar a injeção de quantidade erradas de insulina.
“Injetar a quantidade incorreta de medicação pode levar a complicações significativas, como cegueira e amputação de membros, ou até mesmo a conseqüências mais desastrosas, como o coma diabético e a morte”.
O adesivo dispensaria completamente as injeções, já que é capaz de controlar a glicemia de maneira “automática”. Porém, algumas medições de glicemia na ponta do dedo ainda terão de ser feitas, a fim de evitar possíveis casos de hipoglicemia – especialmente em quem pula refeições e/ou pratica exercícios físicos intensos.
QUANDO O ADESIVO INTELIGENTE PARA DIABETES ESTARÁ NAS LOJAS?
Novidades científicas revolucionárias deste porte, ainda mais quando são da área da saúde, costumam demorar vários anos até serem encontradas nas prateleiras das farmácias. Porém, os testes iniciais foram tão positivos que os pesquisadores estão confiantes de que, logo, o adesivo inteligente poderá ser comprado.
“Nós queremos comercializar [o adesivo inteligente]eventualmente. Estamos buscando realizar amplos estudos em animais e, se tivermos sucesso, partiremos para os testes em humanos”, disse o dr. Gu.
“Eu acredito que, no mínimo, levará de dois a três anos até ser comercializado”
No futuro próximo, o controle do diabetes poderá ser feito sem nenhuma injeção e sem picadas constantes nos dedos para medir a glicemia. Bastará aplicar um pequenino adesivo sobre a pele e pronto – a quantidade de açúcar no sangue estará controlada!
Esta é a promessa do “adesivo inteligente“, criado por pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, para quem está com diabetes. A novidade científica, ainda em desenvolvimento, foi publicada no periódico Proceeding of the National Academy of Sciences.
O QUE É E COMO FUNCIONA O ADESIVO INTELIGENTE?
Para quem precisa injetar insulina várias vezes ao dia para controlar a glicemia – especialmente diabéticos tipo 1 -, o adesivo poderá ser o melhor amigo da saúde e evitar desconfortos.
“A parte difícil do diabetes não é a injeção de insulina, medir a glicemia ou a dieta, mas o fato de que você tem que fazer tudo isso várias vezes todos os dias, durante toda a sua vida’, dr. John Buse (co-autor do estudo)
O adesivo é um pequeno quadrado, do tamanho de uma moedinha. Na face inferior, ele possui uma centena de “microagulhas” especiais, extremamente pequenas e que grudam na pele sem provocar qualquer dor.
As microagulhas são pequenas, porém capazes de atingir os finos vasos sangüíneos na superfície da pele. Quando em contato com o sangue, as microagulhas conseguem detectar a quantidade de açúcar na circulação e liberam insulina de acordo, a fim de corrigir excessos. É por este revolucionário sistema de detecção que o adesivo é chamado de “inteligente”.
“Nós desenvolvemos um adesivo para diabéticos que funciona rapidamente, é fácil de usar e é feito de materiais não-tóxicos e biocompatívies”, explicou o principal autor do estudo, o prof. Zhen Gu (foto), do Departamento de Engenharia Biomédica da Universidade da Carolina do Norte.
“O sistema inteiro pode ser personalizado, sendo ajustável para o peso e a sensibilidade à insulina do paciente. Assim, podemos tornar o “adesivo inteligente” ainda mais inteligente”.
MUITA TECNOLOGIA AJUDA A MANTER A SAÚDE CONTROLADA POR DIAS
O novo adesivo já foi testado, com sucesso, em camundongos diabéticos. Com ele, os cientistas conseguiram controlar a glicemia corretamente durante nove horas.
A insulina é guardada em pequenos compartimentos dentro das microagulhas do adesivo (foto abaixo). Ou seja, uma hora o hormônio acaba e o adesivo deverá ser trocado. Nos testes atuais, um adesivo dura algumas horas, mas a meta dos pesquisadores é torná-lo funcional, para humanos, durante vários dias seguidos.
“[Esta tecnologia] é muito, muito empolgantes, mas ainda preliminar. Levará anos até determinarmos se vai funcionar bem em humanos. Mas se funcionasse, seria fantástico”, disse o dr. John Buse, um dos autores do trabalho e diretor do North Carolina Diabetes Care Centre.
John explica que uma das maiores vantagens do adesivo é evitar a injeção de quantidade erradas de insulina.
“Injetar a quantidade incorreta de medicação pode levar a complicações significativas, como cegueira e amputação de membros, ou até mesmo a conseqüências mais desastrosas, como o coma diabético e a morte”.
O adesivo dispensaria completamente as injeções, já que é capaz de controlar a glicemia de maneira “automática”. Porém, algumas medições de glicemia na ponta do dedo ainda terão de ser feitas, a fim de evitar possíveis casos de hipoglicemia – especialmente em quem pula refeições e/ou pratica exercícios físicos intensos.
QUANDO O ADESIVO INTELIGENTE PARA DIABETES ESTARÁ NAS LOJAS?
Novidades científicas revolucionárias deste porte, ainda mais quando são da área da saúde, costumam demorar vários anos até serem encontradas nas prateleiras das farmácias. Porém, os testes iniciais foram tão positivos que os pesquisadores estão confiantes de que, logo, o adesivo inteligente poderá ser comprado.
“Nós queremos comercializar [o adesivo inteligente]eventualmente. Estamos buscando realizar amplos estudos em animais e, se tivermos sucesso, partiremos para os testes em humanos”, disse o dr. Gu.
“Eu acredito que, no mínimo, levará de dois a três anos até ser comercializado”
domingo, 3 de maio de 2015
1 de cada 3 diabéticos tipo 1 ainda produz insulina
Descoberta de que alta porcentagem de quem está com DIABETES tipo 1 produz, naturalmente, o hormônio, traz fortes implicações tanto médicas quanto econômicas.
É comum dizer que a grande diferença entre o diabetes tipo 1 e o tipo 2 é que, no primeiro caso, o corpo não produz insulina. A própria Associação Americana de DIABETES – uma das entidades mais respeitadas no mundo – escreve, categórica, em seu website: “No DIABETES tipo 1, o corpo não produz insulina”. Mas será mesmo que quem está com DIABETES tipo 1 não gera nada deste importante hormônio?
Uma nova pesquisa científica vem mostrar que o funcionamento do corpo de um diabético tipo 1 é mais complexo do que se imaginava. O estudo, publicado na última edição do periódico Diabetes Care, afirma que pelo menos 1 de cada 3 diabéticos tipo 1 continua produzindo insulina durante várias décadas após o diagnóstico.
A descoberta, além de revolucionar a compreensão sobre a doença, ainda possui aplicações práticas nas áreas médica e econômica.
MEGA ESTUDO TRAZ MEGA RESULTADOS
O trabalho, conduzido por pesquisadores da Universidade de Miami, utilizou um enorme banco de dados sobre pessoas com diabetes tipo 1 fornecido pelo T1D Exchange, consórcio científico focado em acelerar pesquisas sobre a doença.
Dados de saúde de mais de 900 diabéticos foram analisados no trabalho. Cada um deles passou por um teste de detecção do peptídeo-C. O peptídeo-C é uma molécula que ajuda a insulina a ser sintetizada no corpo; assim, caso esteja presente no organismo, é um sinal de que insulina está sendo produzida.
Os resultados mostraram que o número de diabéticos que ainda produziam insulina era muito acima do esperado. Entre pacientes diagnosticados há 5 anos, por exemplo, o peptídeo-C foi encontrado em 78% dos adultos e 46% daqueles diagnosticados antes dos 18 anos de idade. Em diabéticos diagnosticados há mais de 40 anos, 16% deles continuam a ter o peptídeo-C no corpo.
No geral, um terço dos diabéticos apresentou presença do peptídeo.
“Outros estudos mostraram que alguns pacientes com DIABETES tipo 1 que viveram muito anos com a doença continuavam a secretar insulina. Acreditava-se que estes pacientes eram casos excepcionais”, afirmou a doutora Carla Greenbaum, diretora do T1D Exchange Biobank e uma das autoras do trabalho. “Pela primeira vez, nós podemos dizer definitivamente que estes pacientes são uma parte verdadeira da população com DIABETES tipo 1, o que implica mudanças enormes no manejo clínico e nas políticas
AS MUDANÇAS QUE A PESQUISA TRAZ
Em termos médicos, saber que uma porcentagem alta de diabéticos tipo 1 ainda produz insulina pode ajudar os profissionais da saúde na hora de realizar corretamente o diagnóstico do diabetes. Hoje, testes de detecção de insulina realizado em adultos podem fazer a equipe médica concluir que a pessoa tem DIABETES tipo 2 quando na verdade ela está com diabetes tipo 1 (no tipo 2 da doença, há produção de insulina, pelo menos nos estágios iniciais e intermediários da doença).
Já em termos econômicos, a novidade científica promete gerar debates e mudanças nas políticas de saúde, pelo menos nos EUA. Lá, o serviço público de saúde e diversas seguradoras apenas fornecem bombas de insulina caso o diabético tipo 1 tenha comprovação médica de que não produz nada de insulina. Saber que boa parte dos DM1 ainda sintetizam o hormônio – e que isto não ajuda a controlar melhor a doença, sendo o uso da bomba ainda necessário – deverá ser levado em consideração nos próximos anos.
É comum dizer que a grande diferença entre o diabetes tipo 1 e o tipo 2 é que, no primeiro caso, o corpo não produz insulina. A própria Associação Americana de DIABETES – uma das entidades mais respeitadas no mundo – escreve, categórica, em seu website: “No DIABETES tipo 1, o corpo não produz insulina”. Mas será mesmo que quem está com DIABETES tipo 1 não gera nada deste importante hormônio?
Uma nova pesquisa científica vem mostrar que o funcionamento do corpo de um diabético tipo 1 é mais complexo do que se imaginava. O estudo, publicado na última edição do periódico Diabetes Care, afirma que pelo menos 1 de cada 3 diabéticos tipo 1 continua produzindo insulina durante várias décadas após o diagnóstico.
A descoberta, além de revolucionar a compreensão sobre a doença, ainda possui aplicações práticas nas áreas médica e econômica.
MEGA ESTUDO TRAZ MEGA RESULTADOS
O trabalho, conduzido por pesquisadores da Universidade de Miami, utilizou um enorme banco de dados sobre pessoas com diabetes tipo 1 fornecido pelo T1D Exchange, consórcio científico focado em acelerar pesquisas sobre a doença.
Dados de saúde de mais de 900 diabéticos foram analisados no trabalho. Cada um deles passou por um teste de detecção do peptídeo-C. O peptídeo-C é uma molécula que ajuda a insulina a ser sintetizada no corpo; assim, caso esteja presente no organismo, é um sinal de que insulina está sendo produzida.
Os resultados mostraram que o número de diabéticos que ainda produziam insulina era muito acima do esperado. Entre pacientes diagnosticados há 5 anos, por exemplo, o peptídeo-C foi encontrado em 78% dos adultos e 46% daqueles diagnosticados antes dos 18 anos de idade. Em diabéticos diagnosticados há mais de 40 anos, 16% deles continuam a ter o peptídeo-C no corpo.
No geral, um terço dos diabéticos apresentou presença do peptídeo.
“Outros estudos mostraram que alguns pacientes com DIABETES tipo 1 que viveram muito anos com a doença continuavam a secretar insulina. Acreditava-se que estes pacientes eram casos excepcionais”, afirmou a doutora Carla Greenbaum, diretora do T1D Exchange Biobank e uma das autoras do trabalho. “Pela primeira vez, nós podemos dizer definitivamente que estes pacientes são uma parte verdadeira da população com DIABETES tipo 1, o que implica mudanças enormes no manejo clínico e nas políticas
AS MUDANÇAS QUE A PESQUISA TRAZ
Em termos médicos, saber que uma porcentagem alta de diabéticos tipo 1 ainda produz insulina pode ajudar os profissionais da saúde na hora de realizar corretamente o diagnóstico do diabetes. Hoje, testes de detecção de insulina realizado em adultos podem fazer a equipe médica concluir que a pessoa tem DIABETES tipo 2 quando na verdade ela está com diabetes tipo 1 (no tipo 2 da doença, há produção de insulina, pelo menos nos estágios iniciais e intermediários da doença).
Já em termos econômicos, a novidade científica promete gerar debates e mudanças nas políticas de saúde, pelo menos nos EUA. Lá, o serviço público de saúde e diversas seguradoras apenas fornecem bombas de insulina caso o diabético tipo 1 tenha comprovação médica de que não produz nada de insulina. Saber que boa parte dos DM1 ainda sintetizam o hormônio – e que isto não ajuda a controlar melhor a doença, sendo o uso da bomba ainda necessário – deverá ser levado em consideração nos próximos anos.
Praticar exercícios facilita controlar a glicemia (mesmo que você não perca peso!)
Pesquisa mostra que a prática de esportes e exercícios, independente da perda de peso, favorece uma série de parâmetros de saúde que ajudam a controlar o DIABETES.
Vale a pena suar: exercícios ajudam o corpo a controlar as variações de açúcar no sangue, indicam pesquisas.
Uma dica valiosa para quem está com DIABETES é “fazer exercícios”. Praticamente todos os profissionais da saúde e publicações especializadas no público diabético nos lembram constantemente da importância de nos mantermos ativos. A idéia é que, ao nos exercitarmos, ajudamos o corpo a PERDER PESO, e com isso conseguimos um melhor controle da glicemia.
Tudo isto é verdade. Mas praticar esportes e atividades físicas é muito bom para o corpo não apenas por causa da balança. Uma nova pesquisa, realizada por pesquisadores da Universidade de Copenhagen, capital dinamarquesa, mostra que quem se exercita consegue cuidar do DIABETES com muito mais facilidade, tendo perdido peso ou não.
POR QUE PRATICAR EXERCÍCIOS FAZ TÃO BEM?
Quando esforçamos a corpo durante atividades físicas, várias modificações saudáveis acontecem no organismo. É como se o corpo fosse “ativado” para funcionar melhor. No caso de quem convive com o DIABETES, uma destas modificações mais importantes é que os músculos passam a ser mais sensíveis à ação da insulina. Com isto, fica cada vez mais fácil manter taxas adequadas de açúcar no sangue.
Mas as vantagens para o organismo não param por aí. Para mostrar como os esportes ajudam a vida de todo mundo, uma equipe liderada pelo cientista Thomas Solomon analisou a saúde de mais de 300 pessoas antes e depois de entrarem em uma rotina de exercícios físicos.
Dados como a glicemia, porcentagem de hemoglobina glicada, altura e peso, níveis de colesterol e de sensibilidade à insulina foram comparados.
Não precisa pegar pesado todo dia: uma simples caminhada já ajuda o corpo a funcionar melhor.
A conclusão, publicada no periódico DIABETES Care, é inequívoca: manter o corpo ativo faz muito bem, independentemente da perda de peso.
Quem praticou exercícios mostrou glicemia de jejum menor, manteve um melhor controle das taxas de açúcar no sangue ao longo de todo o dia, teve taxas menores de hemoglobina glicada e, ainda por cima, mostrou sensibilidade aprimorada à insulina. Todos estes fatores tornam muito mais fácil o controle diário do DIABETES.
“Apesar da importância enorme do peso e do Índice de Massa Corporal [em quem está com DIABETES], nossos resultados são clinicamente significativos, pois mostram a relevância da boa condição cardiorrespiratória em relação às causas [por trás do diabetes]”, concluíram os pesquisadores.
Ou seja: mesmo se você está no peso correto, manter-se ativo é sempre um bônus para a saúde e, por si só, já ajuda em muito a convivência com o diabetes. Às vezes a solução dos nossos problemas de controle da glicemia não se encontra nas prateleiras das farmácias, mas está em colocar uma bermuda e um tênis de caminhada e sair pra rua!
Entenda tudo sobre a VACINA contra o diabetes tipo 1
Pesquisa publicada este mês abre o caminho para uma vacina contra o DIABETES tipo 1 no futuro. Entenda o que foi descoberto e como isto pode mudar nossas vidas.
Ezio Bonifácio – eis um nome que iremos ouvir bastante nos próximos anos. Professor de DIABETESno Centro de Terapias Regenerativas em Dresden, na Alemanha, Ezio e sua equipe publicaram uma descoberta incrível sobre uma possível maneira de prevenir o diabetes tipo 1 – o que gera esperanças de que uma vacina contra este tipo de DIABETES seja criada em breve.
A ORIGEM DO DIABETES TIPO 1
Para entender o impacto da descoberta, vale relembrar: o diabetes tipo 1 costuma aparecer cedo durante a vida, quando o sistema de defesa do corpo ataca as células que produzem insulina. Conforme elas são destruídas, menos insulina é feita; com isso, o açúcar dos alimentos vai se acumulando no sangue, levando ao diabetes. Por isso, quem está com diabetes tipo 1 precisa, necessariamente, injetar insulina todos os dias para viver bem.
Ninguém sabe ao certo por que, em algumas pessoas, acontece este “auto-ataque” do sistema imune contra as células que produzem insulina. Uma hipótese é que, em diabéticos tipo 1, o sistema de defesa não entrou em contato suficiente com a insulina durante os primeiros anos de vida. É como se os “soldados” que nos guardam contra infecções encontrassem a insulina pela primeira vez e achassem que ela era uma “intrusa”, que deve ser combatida.
COMBATENDO DO LADO CERTO
Como, então, convencer o sistema imune de que a insulina é uma parte “boa” do nosso corpo? Uma idéia é “apresentá-la” aos soldados nas quantidades adequadas, nos primeiros anos de vida, a fim de que eles se acostumem ao hormônio e não ataquem, no futuro, as células que o produzem.
A vacina “ensanaria” ao sistema de defesa do corpo que a insulina não é um “inimigo”
Foi exatamente isto que Ezio e sua equipe buscaram fazer. Eles recrutaram 25 crianças, de 2 a 7 anos e com alto risco de desenvolverem DIABETES tipo 1 (isto é, tinham histórico familiar de DM1 e possuíam genes que as predispunham à condição). Elas receberam, durante um período que variou de 3 a 18 meses, doses variáveis de insulina oral.
A insulina oral é um pózinho de insulina que pode ser misturado aos alimentos. Ele não é vendido normalmente para tratar o DIABETES porque a insulina, quando “engolida”, é destruída muito rapidamente pelo corpo – apenas 1% chega à corrente sangüínea. Por isso que as injeções ainda são a melhor opção.
Porém, uma vantagem da insulina em pó é que ela entra em contato com a mucosa da boca. E lá ela entrará em contato também com células do sistema imune.
RESULTADOS ANIMADORES = 1ª VACINA ANTI-DIABETES?
Se tudo der certo, as primeiras vacinas poderão estar prontas já na próxima década.
O estudo foi conduzido de 2009 a 2013, e só agora os resultados foram compilados. A descoberta dos cientistas é que as crianças que receberam as maiores doses de insulina oral mostraram, de fato, sinais de que o sistema imune já estava “reconhecendo” o hormônio, o que indica um caminho promissor na prevenção do ataque às células beta, produtoras da insulina.
“Dar insulina a crianças com alto risco genético de desenvolver DIABETES tipo 1 pode, na verdade, ter um efeito protetor, como se fosse uma vacina. Ou seja, a insulina estimula o sistema imune destas crianças de um jeito que as protege do diabetes tipo 1″, afirmou Ezio em um comunicado à imprensa.
A meta do grupo de pesquisas de Ezio, agora, é testar o método em um grupo maior de crianças. Os resultados deste estudo deverão estar prontos apenas em 2022. Enquanto isso, os pesquisadores testarão doses maiores de insulina oral.
De acordo com o cientista, caso o método venha a se transformar em uma vacina contra DM1, crianças com alto risco de desenvolver a doença começarão o tratamento com insulina oral aos 6 meses de idade, e continuarão recebendo as doses até os 2 ou 3 anos.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
Finalmente! Começa a ser vendida a insulina inalável
O fim das injeções? Farmácias dos EUA passam a vender hoje insulina Afrezza, de ação rápida e feita para ser “respirada”.
Depois de seis meses de espera, chega hoje, terça-feira (03/02/2015), aos mercados norte-americanos a insulina inalável. Aprovada para comercialização em julho do ano passado – relembre aqui na matéria do Diabeticool – a insulina Afrezza finalmente poderá ser comprada nas farmácias e será a única versão inalável do hormônio à venda.
Desenvolvida pelas farmacêuticas Sanofi e MannKind Corp., a Afrezza é uma insulina de ação rápida indicada para controle da glicemia tanto no diabetes tipo 1 quanto no diabetes tipo 2.
Ela deverá ser usada pouco antes das refeições. A insulina é produzida em forma de pó, administrado através de um pequeno dispositivo, do tamanho de um apito (veja nas imagens).
Nos EUA, uma “dose” diária de 12 unidades da nova insulina está sendo comercializada por cerca de 7,5 dólares – ou aproximadamente 20 reais.
ATUALIZAÇÃO (04/02/2015): A Sanofi do Brasil informa que ainda não há data prevista de lançamento da Afrezza no país.
QUEM PODE – E QUEM NÃO PODE – USAR A INSULINA INALÁVEL
Em adultos acima de 18 anos, o uso da Afrezza é praticamente irrestrito.
Porém, de acordo com a farmacêutica, a nova insulina é contra-indicada a pessoas com doenças pulmonares crônicas, como a asma. Além disso, fumantes e ex-fumantes devem evitar o medicamento, uma vez que a capacidade pulmonar debilitada pode diminuir a eficiência do hormônio.
A Sanofi alerta, ainda, que de maneira alguma deve-se utilizar a Afrezza como substituto de insulinas de longa duração. A maneira correta de utilizá-la é como coadjuvante em uma plano abrangente de controle do diabetes, e que inclui mudanças na dieta e a prática de atividades físicas.
“Há uma necessidade palpável de insulinas que não necessitam injeções, e nossa empresa está determinada a criar esta nova opção de tratamento aos pacientes”, informou o vice-presidente da divisão de diabetes da Sanofi, Pierre Chancel.
A ECONOMIA DO DIABETES: AFREZZA É APOSTA PARA O LUCRO
A Afrezza é a maior esperança da Sanofi para lucrar no mercado do diabetes.
A farmacêutica fatura cerca de 18 bilhões de reais por ano com medicamentos para diabéticos, mas em 2014 a performance foi ruim a ponto de demitirem o principal executivo da divisão. Além disso, em 2015 vence a patente da insulina Lantus – a campeã de vendas da Sanofi e principal motivo dos lucros extraordinários da empresa.
Estima-se internamente que a insulina inalável chegue à marca de 182 milhões de dólares anuais em vendas em 2019. É um número modesto, em parte devido ao medo de rejeição do público por causa da má fama da insulina Exubera (ver a história no quadro abaixo).
Além da Afrezza, uma nova versão da Lantus, chamada Toujeo, também deve ser lançada em breve.
Depois de seis meses de espera, chega hoje, terça-feira (03/02/2015), aos mercados norte-americanos a insulina inalável. Aprovada para comercialização em julho do ano passado – relembre aqui na matéria do Diabeticool – a insulina Afrezza finalmente poderá ser comprada nas farmácias e será a única versão inalável do hormônio à venda.
Desenvolvida pelas farmacêuticas Sanofi e MannKind Corp., a Afrezza é uma insulina de ação rápida indicada para controle da glicemia tanto no diabetes tipo 1 quanto no diabetes tipo 2.
Ela deverá ser usada pouco antes das refeições. A insulina é produzida em forma de pó, administrado através de um pequeno dispositivo, do tamanho de um apito (veja nas imagens).
Nos EUA, uma “dose” diária de 12 unidades da nova insulina está sendo comercializada por cerca de 7,5 dólares – ou aproximadamente 20 reais.
ATUALIZAÇÃO (04/02/2015): A Sanofi do Brasil informa que ainda não há data prevista de lançamento da Afrezza no país.
QUEM PODE – E QUEM NÃO PODE – USAR A INSULINA INALÁVEL
Em adultos acima de 18 anos, o uso da Afrezza é praticamente irrestrito.
Porém, de acordo com a farmacêutica, a nova insulina é contra-indicada a pessoas com doenças pulmonares crônicas, como a asma. Além disso, fumantes e ex-fumantes devem evitar o medicamento, uma vez que a capacidade pulmonar debilitada pode diminuir a eficiência do hormônio.
A Sanofi alerta, ainda, que de maneira alguma deve-se utilizar a Afrezza como substituto de insulinas de longa duração. A maneira correta de utilizá-la é como coadjuvante em uma plano abrangente de controle do diabetes, e que inclui mudanças na dieta e a prática de atividades físicas.
“Há uma necessidade palpável de insulinas que não necessitam injeções, e nossa empresa está determinada a criar esta nova opção de tratamento aos pacientes”, informou o vice-presidente da divisão de diabetes da Sanofi, Pierre Chancel.
A ECONOMIA DO DIABETES: AFREZZA É APOSTA PARA O LUCRO
A Afrezza é a maior esperança da Sanofi para lucrar no mercado do diabetes.
A farmacêutica fatura cerca de 18 bilhões de reais por ano com medicamentos para diabéticos, mas em 2014 a performance foi ruim a ponto de demitirem o principal executivo da divisão. Além disso, em 2015 vence a patente da insulina Lantus – a campeã de vendas da Sanofi e principal motivo dos lucros extraordinários da empresa.
Estima-se internamente que a insulina inalável chegue à marca de 182 milhões de dólares anuais em vendas em 2019. É um número modesto, em parte devido ao medo de rejeição do público por causa da má fama da insulina Exubera (ver a história no quadro abaixo).
Além da Afrezza, uma nova versão da Lantus, chamada Toujeo, também deve ser lançada em breve.
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