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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
Estudo mostra que chá verde e cacau protegem contra complicações causadas por diabetes
Um estudo levado a cabo por investigadores das Universidades da Califórnia e de Yale mostra que o reforço do sistema imunitário em doentes com diabetes tipo 1 pode evitar injeções diárias de insulina.
Da Agência Fapesp de Notícias
O Projeto temático Efeitos do chá verde (Camellia sinensis), do cacau e de um doador de óxido nítrico na nefropatia e retinopatia diabética: papel da redução do estresse oxidativo e da inflamação e do aumento do óxido nítrico, apoiado pela FAPESP, demonstrou que esses dois produtos podem atuar também como coadjuvantes na prevenção ou no tratamento de complicações renais ou da retina decorrentes do diabetes.
“Partimos da hipótese de que esses produtos poderiam ser benéficos por reduzir o estresse oxidativo e a inflamação e aumentar a taxa de óxido nítrico (NO), que é um vasodilatador cuja presença se encontra diminuída no quadro diabético. Então, estudamos separadamente os efeitos do chá verde, do cacau e de um doador de óxido nítrico. E constatamos benefícios reais tanto do chá verde quanto do cacau.
A pesquisa gerou 10 artigos científicos em revistas especializadas”, disse Jose Butori Lopes de Faria, professor titular de Nefrologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenador do projeto à Agência FAPESP. Os estudos relativos à retina foram coordenados pela oftalmologista e pesquisadora da Unicamp Jacqueline Mendonça Lopes de Faria.
A pesquisa utilizou modelos experimentais (camundongos e ratos) com diabetes induzido. E também culturas de células (de camundongos e humanas) expostas a alta concentração de glicose para mimetizar o diabetes. Foram descritos diversos mecanismos de lesão dos rins ou das retinas e a reversão do quadro por meio do chá verde ou do cacau.
“Além de seu conhecido efeito antioxidante e anti-inflamatório, demonstramos, de forma rigorosa, que o chá verde faz diminuir a morte programada (apoptose) dos podócitos, as células que formam a barreira que restringe a passagem de proteínas do sangue para a urina. A passagem de albumina para a urina é a principal alteração renal do indivíduo diabético”, informou o pesquisador.
Os efeitos benéficos tanto do chá verde quanto do cacau são atribuídos à presença de polifenóis: no caso do chá verde, à epigalocatequina-galato, e, no caso do cacau, à epicatequina. Em colaboração com o químico Marcelo Ganzarolli de Oliveira, professor titular do Departamento de Físico-Química do Instituto de Química da Unicamp, os pesquisadores fizeram a caracterização química dos produtos, confirmando a presença das referidas substâncias por meio de cromatografia de alta pressão e espectrometria de massa.
Mas o surpreendente foi que o cacau atuou de forma positiva mesmo quando eliminado o polifenol. “Para investigar o efeito da epicatequina, utilizamos dois tipos de cacau. Um, rico na substância; outro, do qual a substância tinha sido retirada. E, a despeito do que supúnhamos, também este último apresentou efeito protetor contra as complicações associadas ao diabetes. Isso jamais havia sido descrito pela literatura especializada. Então, escrevemos um trabalho afirmando que a teobromina, que é uma metil-xantina, talvez fosse responsável pelo efeito. Posteriormente, foram publicados outros estudos corroborando nossa opinião”, afirmou Lopes de Faria.
Será o fim das picadas diárias de insulina para os doentes com diabetes tipo 1?
Um estudo levado a cabo por investigadores das Universidades da Califórnia e de Yale mostra que o reforço do sistema imunitário em doentes com diabetes tipo 1 pode evitar injeções diárias de insulina.
Os doentes com diabetes tipo 1 têm de se injetar todos os dias com insulina, em maiores ou menores doses, para suprir uma falha do organismo. Mas um estudo levado a cabo por investigadores da Universidade da Califórnia e Yale, nos últimos cinco anos, e publicado esta quarta-feira na revista Science, vem abrir uma janela de esperança a estes doentes, mostrando que pode ser possível travar a destruição das células do pâncreas que produzem insulina, através do reforço do sistema imunitário, e desta forma evitar a administração diária de insulina.
O normal é o sistema imunitário proteger o organismo das infeções, mas no caso dos doentes com diabetes tipo 1, as células T (subtipo dos linfócitos T) não só atacam os agentes externos, como atacam também as células boas do organismo, mais concretamente as células beta do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina. Por sua vez, as T-regs (células T reguladoras) têm a capacidade de perceber quando há células que estão a ficar disfuncionais e que começam a atacar o próprio organismo.
Basicamente, o que estes investigadores fizeram, neste estudo que começou em 2010, foi pegar em 14 pessoas, entre os 18 e os 43 anos, com diabetes tipo 1 recém-diagnosticadas, retirar-lhes sangue, separar as T-Reg (células T reguladoras), cultivá-las e aumentá-las, voltando a injetar, nesses doentes, milhares de milhões de células T reguladoras. O que aconteceu foi que ao fim destes anos se verificou que “em algumas pessoas parou o processo de destruição” durante um ano, de forma segura.
“Usando as T-regs para ‘reeducar’ o sistema imunitário, podemos ser capazes de mudar o curso desta doença. Esperamos que as T-regs sejam uma parte importante do tratamento contra a diabetes no futuro”, afirmou Jeffrey Bluestone, um dos autores do estudo e professor de metabolismo e endocrinologia da Universidade da Califórnia, citado pelo The Telegraph.
Bruno Almeida, médico de medicina interna da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal e assistente da Faculdade de Medicina, da Universidade de Coimbra, frisou ao Observador que “o grande interesse deste estudo é no caso dos doentes recém-diagnosticados”.
“A utilização destas células poderá ter um potencial de sucesso, mas apenas nas pessoas recém-diagnosticadas porque ainda produzem alguma insulina”, disse o médico, explicando que este processo trava, mas não reverte a destruição das células beta do pâncreas, pelo que nos casos de doentes que já não produzem qualquer insulina, deixar de injetar insulina diariamente nunca poderá ser uma solução.
Pedro Melo, diretor de serviço de Endocrinologia do Hospital Pedro Hispano, acrescentou que “futuramente, e do ponto de vista clínico, poderá haver ainda maior interesse deste potencial tratamento nas pessoas ainda sem diabetes tipo 1 propriamente dita, mas que apresentem elevado risco ou sinais do processo fisiopatológico de destruição das células beta. O problema aqui será o de identificar corretamente este grupo de alto risco”.
Sublinho que,
Ambos os médicos alertam para o facto de a amostra utilizada neste estudo ser muito pequena. “Sendo muito interessante e promissor, trata-se de um estudo muito preliminar (fase 1), em escasso número de doentes”, finalizou Pedro Melo. Bruno Almeida acrescentou que será necessário “fazer mais estudos com mais pessoas para chegar a uma conclusão estatisticamente significativa”, sublinhando que um tratamento deste género é muito “complexo e dispendioso”.
A diabetes tipo 1 é geralmente diagnosticada até aos 18 anos e é uma das doenças autoimunes mais comuns nas crianças, embora se possa manifestar em qualquer idade.
De acordo com o último relatório anual do Observatório Nacional da Diabetes – “Diabetes: Factos e Números”, em 2013 existiam cerca de 60.000 pessoas com diabetes (tipo 1, tipo 2 e gestacional) em Portugal, e 3.262 crianças e jovens, com idades compreendidas entre os 0 e os 19 anos, tinham diabetes tipo 1, um número que tem vindo a crescer ao longo dos anos.
Os doentes com diabetes tipo 1 têm de se injetar todos os dias com insulina, em maiores ou menores doses, para suprir uma falha do organismo. Mas um estudo levado a cabo por investigadores da Universidade da Califórnia e Yale, nos últimos cinco anos, e publicado esta quarta-feira na revista Science, vem abrir uma janela de esperança a estes doentes, mostrando que pode ser possível travar a destruição das células do pâncreas que produzem insulina, através do reforço do sistema imunitário, e desta forma evitar a administração diária de insulina.
O normal é o sistema imunitário proteger o organismo das infeções, mas no caso dos doentes com diabetes tipo 1, as células T (subtipo dos linfócitos T) não só atacam os agentes externos, como atacam também as células boas do organismo, mais concretamente as células beta do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina. Por sua vez, as T-regs (células T reguladoras) têm a capacidade de perceber quando há células que estão a ficar disfuncionais e que começam a atacar o próprio organismo.
Basicamente, o que estes investigadores fizeram, neste estudo que começou em 2010, foi pegar em 14 pessoas, entre os 18 e os 43 anos, com diabetes tipo 1 recém-diagnosticadas, retirar-lhes sangue, separar as T-Reg (células T reguladoras), cultivá-las e aumentá-las, voltando a injetar, nesses doentes, milhares de milhões de células T reguladoras. O que aconteceu foi que ao fim destes anos se verificou que “em algumas pessoas parou o processo de destruição” durante um ano, de forma segura.
“Usando as T-regs para ‘reeducar’ o sistema imunitário, podemos ser capazes de mudar o curso desta doença. Esperamos que as T-regs sejam uma parte importante do tratamento contra a diabetes no futuro”, afirmou Jeffrey Bluestone, um dos autores do estudo e professor de metabolismo e endocrinologia da Universidade da Califórnia, citado pelo The Telegraph.
Bruno Almeida, médico de medicina interna da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal e assistente da Faculdade de Medicina, da Universidade de Coimbra, frisou ao Observador que “o grande interesse deste estudo é no caso dos doentes recém-diagnosticados”.
“A utilização destas células poderá ter um potencial de sucesso, mas apenas nas pessoas recém-diagnosticadas porque ainda produzem alguma insulina”, disse o médico, explicando que este processo trava, mas não reverte a destruição das células beta do pâncreas, pelo que nos casos de doentes que já não produzem qualquer insulina, deixar de injetar insulina diariamente nunca poderá ser uma solução.
Pedro Melo, diretor de serviço de Endocrinologia do Hospital Pedro Hispano, acrescentou que “futuramente, e do ponto de vista clínico, poderá haver ainda maior interesse deste potencial tratamento nas pessoas ainda sem diabetes tipo 1 propriamente dita, mas que apresentem elevado risco ou sinais do processo fisiopatológico de destruição das células beta. O problema aqui será o de identificar corretamente este grupo de alto risco”.
Sublinho que,
Ambos os médicos alertam para o facto de a amostra utilizada neste estudo ser muito pequena. “Sendo muito interessante e promissor, trata-se de um estudo muito preliminar (fase 1), em escasso número de doentes”, finalizou Pedro Melo. Bruno Almeida acrescentou que será necessário “fazer mais estudos com mais pessoas para chegar a uma conclusão estatisticamente significativa”, sublinhando que um tratamento deste género é muito “complexo e dispendioso”.
A diabetes tipo 1 é geralmente diagnosticada até aos 18 anos e é uma das doenças autoimunes mais comuns nas crianças, embora se possa manifestar em qualquer idade.
De acordo com o último relatório anual do Observatório Nacional da Diabetes – “Diabetes: Factos e Números”, em 2013 existiam cerca de 60.000 pessoas com diabetes (tipo 1, tipo 2 e gestacional) em Portugal, e 3.262 crianças e jovens, com idades compreendidas entre os 0 e os 19 anos, tinham diabetes tipo 1, um número que tem vindo a crescer ao longo dos anos.
Biochip promete auxílio na luta contra a diabetes
Segundo a Federação Internacional de Diabetes (IDF), cerca de 4,9 milhões de pessoas morreram em 2014 vítimas de complicações causadas pela doença. Para reverter esse quadro, o Grupo de Bioeletroquímica e Interfaces do Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da USP está desenvolvendo um biochip, implantável no organismo, capaz de detectar os níveis de açúcar no sangue e alertar o paciente e o médico sobre as medições, em tempo real.
As pesquisas começaram por volta de 2008, lideradas pelo professor Frank Nelson Crespilho. O biochip consiste em duas fibras de carbono que são inseridas em um cateter e posicionadas dentro da veia. À medida que o sangue passa através do dispositivo, o chip consegue medir, instantaneamente, a concentração de açúcar no sangue. “Há ainda muito o que pesquisar. Estamos em fase de testes. Fizemos uma simulação em ratos, mostrando que é possível ter um componente bioeletrônico implantável, acessível para se fazer monitoramento 24 horas por dia”, comenta Crespilho.
A intenção é que o dispositivo, futuramente, possa enviar para um relógio ou um celular os valores obtidos na leitura das concentrações de açúcar no sangue. Assim, tanto o paciente como o médico poderiam saber em tempo real o atual quadro da diabetes. “Hoje já se tem monitoramento de batimento cardíaco por celular, por exemplo. Então já é uma realidade. Nós mostramos que é possível fazer, que a prova de conceito deu certo. Agora, nesta segunda etapa, precisamos de recursos e interesse.”
Biocélula
Outro dispositivo em desenvolvimento no Grupo de Bioeletroquímica e Interfaces é uma biocélula a combustível (BFC, do inglês bio-fuel cells), ou seja, uma bateria que usa a glicose do sangue para produzir energia. Além da glicose, o sistema também utiliza o oxigênio do organismo, ambos disponíveis no sangue. Através de uma reação química, gera-se eletricidade, e a biocélula é constantemente alimentada.
Uma bateria normal de marcapasso, por exemplo, precisa ser substituída entre cinco a oito anos, através de uma cirurgia. Com o invento do grupo, não há a necessidade de procedimentos invasivos para a troca da bateria, pois ela consegue produzir eletricidade diretamente do sangue, sem a necessidade de ser substituída.
Para testá-la, os pesquisadores a implantaram dentro da veia jugular de um roedor. Os eletrodos têm 20 micrômetros de diâmetro (seis vezes menores que um fio de cabelo), inseridos dentro de um cateter com 0,5 milímetro (mm) de diâmetro por 0,6 mm de comprimento. A bateria consegue gerar uma diferença de potencial maior que 1,0 volt, ou seja, um pouco menos de uma pilha convencional.
Tanto o biochip como a bateria ainda não foram testados em seres humanos, e precisam percorrer um longo caminho de aperfeiçoamento e pesquisa. Segundo Crespilho, o maior desafio atualmente é a biocompatibilidade, ou seja, criar materiais e mecanismos para que o corpo não rejeite os dispositivos. “Nós atacaremos essa etapa nos próximos dez anos, desenvolvendo um projeto grande, para estudar as melhores maneiras para isso. Tudo depende da quantidade de recursos, de quanta gente estaria trabalhando. Já envolveria até a indústria farmacêutica, ou um grupo maior, que queira transferir essa tecnologia”, comenta o professor.
Quanto aos recursos para o desenvolvimento da pesquisa, a equipe de Crespilho recebe apoio institucional da Universidade e do próprio laboratório do IQSC, e também financiamento da Fapesp, CNPq, Instituto Nacional de Eletrônica Orgânica (INCT-Ineo) e Rede NanoBioMed (Capes).
Resultados internacionais
O investimento e as pesquisas do Grupo de Bioeletroquímica e Interfaces do IQSC já trouxeram diversos resultados, inclusive internacionalmente. Os editores da revista ChemElectroChem, da editora alemã Wiley, escolheram o biochip implantável que detecta a concentração de açúcar no sangue como um dos trabalhos mais destacados publicados em todos os periódicos da editora, tornando a pesquisa acessível tanto para a comunidade científica quanto para o público leigo.
Apesar da conquista e do grande reconhecimento do trabalho do grupo, o professor Frank Nelson Crespilho é cauteloso. “É muito importante não gerar expectativas acerca dos dispositivos que estamos desenvolvendo. Ainda há várias etapas que precisam ser cumpridas. Tem muita pesquisa pela frente. Ficamos animados com os resultados, mas temos um compromisso com a sociedade e os resultados dependem de estudos até chegar à implementação de fato em seres humanos.”
Thiago Castro / Jornal da USP
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